Fazendo um Check Up de nossa vida

projeto-ter-ou-ser-REFLEXÕES SOBRE AS RAZÕES DE NOSSA EXISTÊNCIA

Em meio a uma sociedade materialista, competitiva e seletiva, vivemos sufocados diante do apelo da mídia que nos diz que precisamos ter para ser. De um lado, muitos que tem pouco subsistem numa condição muitas vezes de carência material ou ainda em situações de
subumanidade não podem alcançar a qualidade de vida. De outro lado, poucos que tem muito. Não sofrem pela falta, mas sim pela abastança, pois ter tudo materialmente pode significar não ter nada espiritualmente. Isso porque, o maior psicólogo que já pisou nessa terra afirmou que “[…] a vida de qualquer não consiste na abundancia do que possui” (Lucas 12.15). Nesse sentido, a raça humana tem buscado na realização estética do culto ao corpo que padroniza a beleza plasticizada, na profissão de sucesso, na busca pela estabilidade financeira ou na conquista de títulos a razão de suas vidas enquanto seres humanos.

Diante disso, o homem tem enfrentado doenças e males psíquicos e físicos tais como a ansiedade crônica, depressão, síndrome do pânico, câncer de todo tipo, AIDS e tantas outras que nada mais são que a resposta do corpo, mente e emoções às agressões sofridas pelas buscas erradas e a falta do real sentido da existência: conhecer o Criador e fazê-lo conhecido. Sendo assim, é preciso fazer um check up do nosso coração para analisar quais são as bases de nossa vida, em que estamos depositando tempo, dinheiro e esforço na busca da tão sonhada “qualidade de vida”. Fato é que, muitos de nós, seja por procrastinação ou por medo de enfrentar a realidade, não gosta, não tem o hábito ou não tem condições de fazer uma avaliação geral da saúde física semestral ou anualmente por falta de um plano de saúde e burocratização do serviço público. No entanto, quanto mais regularmente e mais cedo fizermos esse procedimento, será possível detectar doenças e tratá-las com grandes chances de cura total. Da mesma forma, na vida emocional não é diferente. Portanto, vamos fazer esse check up à luz do “Raio-X da Palavra”, para verificarmos nossas falhas e redimensionarmos nossa existência na direção da real felicidade e qualidade de vida.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm primeiro lugar, é preciso pensar em que estamos investindo nossa vida, pois tudo na dimensão horizontal é passageiro. O grande sábio Salomão, depois de cometer vários erros na vida, ao final de sua lida terrestre declara: “Vaidade de vaidades! – diz o pregador, vaidade de vaidades! É tudo vaidade” (Eclesiastes 1.2). Em outras palavras, tudo nessa vida rasteira um dia vai passar. Nesse sentido, o profeta Isaías nos alerta: “por que gastais dinheiro naquilo que não é pão? E o produto do vosso trabalho naquilo que não pode satisfazer? (Isaías 55.2a). Logo, se a vida humana é breve, passageira e volátil, faz-se necessário investi-la naquilo que trará resultados eternos. Para além de uma crença fatalista, aniquiladora e ateia do mundo, seja aqui ou na eternidade, colheremos os frutos daquilo que plantamos em nossas vidas, nos relacionamentos e na Natureza. Diante da brevidade de nossos dias, tudo se faz transitório. Nada é perenemente constante, pois as coisas não são, mas estão se tornando a cada momento como já afirmou Heráclito (535 a.C. – 475 a.C). Logo, aqui reside o vértice da frustração humana, pois “Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu […e] Tudo Deus fez formoso em seu tempo; também pôs o mundo no coração deles, sem que o homem possa descobrir a obra que Deus fez desde o princípio até o fim” (Eclesiastes 3.1 e 11). Portanto, se em nossos corações temos o anseio pela espiritualidade e a eternidade, buscar a razão de nossas vidas na materialidade e no tempo é perda de tempo. É a mesma coisa que caminhar num dia de sol muito quente no deserto do Saara, ter sede e tentar se saciar com Coca-Cola. Momentaneamente pode ser bom, mas logo a sensação passa e precisamos de mais…mais…e mais. Nesta direção, o texto Sagrado nos faz refletir: “Lembra-te do teu criador nos dias da Tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos dos quais venhas a dizer: Não tenho neles contentamento” (Eclesiastes 12.1).

vida-eternaApesar da transitoriedade, em segundo lugar, é possível viver o prazer constante e completo mediante uma ótica teocêntrica da vida. Assim, o grande problema da raça humana traduz-se na ilustração de alguém que tem uma enxaqueca crônica e deseja tomar uma aspirina para sanar a dor. O remédio é paliativo, será preciso outro, e outro, e outro, mas nunca trará a cura final. Da mesma forma, mediante o vazio da alma humana em busca do prazer a todo custo, muitos (alguns que até se autodenominam ateus ou adeptos de qualquer religião ou filosofia de vida) estão se autodestruindo na busca doentia pelo poder, fama, dinheiro, sexo fácil e descompromissado, alienados da percepção diária do Senhor no cotidiano, ausentes de uma relação familiar e social saudáveis por falta de investimento de tempo de qualidade. No entanto, compreendemos à luz da vontade de Deus que o prazer não é pecado, pois Deus nos criou como seres dotados da capacidade de sentir e gerar prazer no outro. Dessa forma, o Sábio exclama: “Disse, eu em meu coração: ‘Ora, vem eu te provarei com alegria; portanto, goza o prazer, mas eis que também isto era vaidade. Do riso disse: Está doido; e da alegria: De que serve esta? (Eclesiastes 2.1-2). Logo, o prazer e a alegria fazem parte da vida humana, mas sem a perspectiva e a forma divina de saciá-lo torna-se fugaz. Igualmente, o Senhor esclarece: “Não é, pois bom para o homem que coma e beba e que faça gozar a sua alma do bem do seu trabalho? Isto também eu vi que vem da mão de Deus” (Eclesiastes 2.24; Cf. 3.13). Posto isso, o prazer vivido na presença de Deus é um presente de Deus para todos nós, pois “[…] quanto ao homem, a quem Deus riquezas e fazendas e lhe deu poder para delas gozar do seu trabalho, isto é dom de Deus “(Eclesiastes 5.19). Neste sentido, o prazer oportunizado pelo esforço do trabalho como a aquisição de um bem, uma viagem, a generosidade que ajuda o necessitado e/ou um momento de lazer ansiado, são coisas maravilhosas que Deus deu aos seres humanos aqui na Terra. Diante disso, os homens podem criar cultura no mundo não-criado por eles como produto do trabalho criado por seus sentimentos, pensamentos e ações: “Assim que tenho visto que não há coisas melhor do que alegrar-se o homem nas suas obras, porque esta é a sua porção; porque quem o fará voltar para ver o que será depois dele?” (Eclesiastes 3.22).

juventude1Nessa vida horizontal segundo a ótica divina, em terceiro lugar, a família é uma dádiva para o aperfeiçoamento e felicidade humanos. Quanto à família, Salomão diz: “Seja bendito o teu manancial, e alegra-te com a mulher da tua mocidade” (Provérbios 5.19). Alegrar-se com a mulher da juventude na experiência do casamento, viver o prazer da vida a dois, partilhar sonhos, construindo uma família na presença de Deus é algo fantástico. Nesta direção, o texto bíblico ainda nos faz pensar: “Bem-aventurado aquele que teme ao Senhor e anda nos seus caminhos. Pois comerás do trabalho das tuas mãos; feliz serás, e te irá bem. A tua mulher será como a videira frutífera aos lados da tua casa; os teus filhos, como plantas de oliveira, à roda da tua mesa” (Salmos 128-1-3). Portanto, a família em que marido, mulher e filhos vivendo unidos em comunhão com os parentes, amigos e vizinhos, exalando o bom perfume de Cristo, é o lugar em que se pode viver o antegozo dos céus aqui na terra. O inverso também é verdadeiro: uma família desequilibrada gera indivíduos desequilibrados e como conseqüência uma sociedade doente e alienada da real felicidade. Sendo assim, podemos refletir: como está nossa vida familiar? Avaliando a relação conjugal, será que temos dedicado tempo para o cônjuge e os filhos? Quanto tempo faz que não dizemos o quanto amamos nossos cônjuge e prole? Podemos relembrar agora qual foi o último dia em que abrimos um dia em nossa agenda para estar em família e partilhar sobre o quanto Deus tem feito em nossas vidas, ler a Palavra, orar e dar louvores a Deus? Um simples piquenique, passeio no parque, um bate-papo na praça, um lanche no final da noite, enfim; a questão não é quantidade, mas qualidade de vida na vida que gera vida para a glória de Deus.

oticaEm quarto lugar, a Igreja de Jesus é local em podemos partilhar do prazer da comunhão e dos relacionamentos. A despeito da frustração de alguns com a instituição hierarquizada, departamentalizada e fossilizada da Igreja cristã desde a Idade Média, há uma
benção especial para aqueles que decidem dizer como o salmista: “Alegrei-me quando me disseram: Vamos à casa do Senhor” (Salmos 122.1). Vale dizer que a “casa do Senhor” não são os mega-templos construídos pelas mãos humanas, mas o grande Santuário divino em que cada um de nós somos “[…] pedras vivas, […] edificados como casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus por Jesus Cristo (II Pedro 2.5). Assim, fazemos parte da grande construção divina tendo em vista que juntos possamos ser casa espiritual, seja no grande ou pequeno ajuntamento, a fim de receber e dar, acolhermos e sermos acolhidos, amarmos e sermos amados à medida em que conhecemos o amor de Jesus.

Por isso, a Igreja como “multiforme sabedoria de Deus” (Efésios 3.10) pode unir os diferentes na diferença com o objetivo da unidade na diversidade que aperfeiçoa o caráter e glorifica o Senhor que nos criou. Logo, só podemos nos perceber como sujeitos em crescimento no seio da comunidade de discípulos. Não há crente solitário, mas alguns que por opção desejam por egoísmo e auto-suficiência viver a solidão, contrariando o plano divino de que “[…] não é bom que o homem esteja só […]” (Gênesis 2.18). Portanto, é na identificação com os irmãos que somos acometidos do prazer de estar em comunidade e viver o frescor, a suavidade, a missão sacerdotal e a benção do Senhor resultantes da unidade do povo de Deus (Salmos 133.1-3). Não significa que essa relação será perfeita e plena sempre pois todos os atores envolvidos estão em processo de conhecimento de si e do outro, à medida que se conhecem no amor Deus. Dessa maneira, o perdão será necessário o tempo todo a fim de que o prazer se aça completo e o crescimento integral do ser se torne realidade na mesma intensidade em que as pedras se unem no edifício divino pela argamassa do amor (Cf. Colossenses 3.13-14).

Enfim, logo após fazermos o check up de nossas vidas pelo “Raio-X da Palavra” (Tiago 1.22-24), vamos fazer o mesmo desafio do Sábio a todos nós: “De tudo que se tem ouvido, o fim é: ‘ teme a Deus e guarda os seus mandamentos, porque este é o dever de todo o
homem. Porque Deus há de trazer a juízo toda obra e até tudo que está encoberto, quer se bom que seja mau’” (Eclesiastes 12.13-14). Assim, a ótica divina acerca da vida que gera em nós temor que obedece aos preceitos do Senhor deve ser o foco de nossa existência. Duas razões nos são dadas para adesão de tal postura: (1) É nosso dever e (2) Um dia todos prestaremos conta a Deus de tudo que fizemos publicamente ou em oculto com aquilo que Ele nos deu. Em outras palavras, é a ética pautada na existência de um Deus que estabeleceu leis naturais e sociais para o bem-estar e felicidade no planeta que deve gerir os relacionamentos dos homens consigo mesmos, com os outros e com a Natureza. Apesar de a vida ser breve e tudo ser tão transitório, é possível sermos felizes e vivermos com qualidade de vida nesse mundo de loucuras através da comunhão diária com Deus que, desemboca no amor incondicional
vividos na família e na Igreja de Cristo que podem mudar a nossa sociedade egoísta, materialista e carente de exemplos a seguir.

Por Prof. Hamilton Perninck Vieira

Bacharel em Teologia (STEMA,2003). Licenciatura Plena em Pedagogia (UNG,2008).
Especialista em formação de professores (UECE,2010). Mestrando em Educação
(UECE,2013-)

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