12.12.11 15:38
Do plástico à plástica (e vice-versa) – a “evolução” da mulher geneticamente modificada
Nasci na década de 80. Na TV, vi o Daniel Azulay fazer coisas incríveis e “assistia” a primeira versão do Sítio do Pica-Pau amarelo, onde uma boneca queria ser gente. O som que saía da maioria das radiolas era:
“Emília, Emília, Emília
Ela é feita de pano
Mas pensa como um ser humano
Esperta e atrevida
É uma maravilha
Emília, Emília, Emília…”
Fui adolescente na década de 90. Na TV, vi apresentadoras loiras de programas infantis fazerem “mais do mesmo” e o som que saía da maioria dos CDplayers era:
“I’m a Barbie Girl (Eu sou a Garota Barbie)
in a Barbie World
(No mundo Barbie)
Life in plastic, it’s fantastic (A vida plastica é fantástica)”
Fui jovem/adulta nos anos 2000. Na TV, vi a Fátima Bernardes popularizar a “escova definitiva” na bancada do Jornal Nacional e o som que saía da maioria dos MP3 era o funk, o axé e os “afins” (melhor não escrever nenhuma letra aqui, ok? – Risos…). Assim, década após década, foram “evoluindo” as atrações, o entretenimento, a música e, à reboque, os estereótipos de beleza cantados, apresentados e, consequentemente, desejados.
O resultado desse processo é que a maioria das mulheres (grupo no qual eu me incluo) ficaram todas muito parecidas. Quase que “geneticamente modificadas”. Pense comigo: a genética trata, dentre outras coisas, das características herdadas dos nossos pais, certo? Ora, se somos filhas de um Deus tão único e criativo, que decidiu fazer cada uma de nós diferentes entre si, à medida que buscamos nos parecer TANTO com os estereótipos modificamos o nosso DNA de únicas.
Continuando a minha “linha do tempo”, em 2010 me tornei mãe de uma linda morena de olhos escuros e cabelos cacheados (coincidentemente no início de mais uma década). Agora, imersa no universo intantil, vejo na TV o Mister Maker fazendo coisas incríveis (opa! Já vi isso antes?!) e o que toca na maioria dos DVDs infantis são canções de um pretenso resgate à cultura dos anos 80 (“Galinha Pintadinha” com cantigas de roda e afins). Seria uma tentativa de resgate de uma infância mais Emília e menos Barbie? Não sei ao certo, mas vou tratar de encher a caixa de bonecas da minha filha com bonecas negras, morenas, orientais e continuar enaltecendo a singularidade da sua “morenisse”, à medida que clamo para que seu coração seja guardado da vontade de ser igual em detrimento de ser o que Deus planejou que ela fosse e registrou no seu DNA: única.
Em resumo, no tempo da Emília, tinha boneca que queria ser gente grande. No tempo da Barbie, tem gente “grande” que quer ser boneca. E se você é mulher, não concordou com nada do que eu disse e não dispensa uma “receita de beleza” infalível, te dou duas ótimas direto da Bíblia! Tome nota:
“Acima de tudo, guarde o seu coração, pois dele depende toda a sua vida.” Provérbios 4:23
“Um coração alegre aformoseia o rosto…” Provérbios 15:13
OBS.: O Mister Maker (Discovery Kids) é uma versão contemporânea do Daniel Azulay, certo? (…)
(…) Então, vale lembrar de mais um versículo: “O que foi tornará a ser, o que foi feito se fará novamente; não há nada novo debaixo do sol.” – Eclesiastes 1:9
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Comentários | 2 Comentários
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Fabiana Melo 12.12.11 | 16:00
Que maravilha me descobrir única, diferenciada e filha de um Pai que nos dá uma vida tão maravilhosa a ponto de podermos reviver, através dos filhos, sensações maravilhosas da infância. Ainda não sou mãe, Samira, mas captei uma pontinha desse sentimento bom que você tem. Parabéns pelo texto.
Deive 14.12.11 | 09:28
Que mundo louco, não?! Enaltecem o discurso da diversidade de raças, credos, sexualidades, mas quando se trata de estética, a palavra de ordem é padronização. Vai entender… Boa reflexão, Samira!!!