Diga-me o que fere

solidãoNão sei se você já pensou na qualidade de amigo (a) que TEM sido (não digo que “É” por que mudamos, e graças a Deus por isso), já pensou? Sempre faço uma avaliação pessoal sobre o assunto, sei que estou loooonge, mais confesso que tenho me esforçado, já há muitos anos. Entendi a muito tempo o valor da amizade, por desde muito cedo ter grandes amigos e boas companhias. Aprendi a valorizá-los, cuidar, amar, defender, etc… Posso falar os nomes  e características de cada um dos meus amigos de infância até os atuais, e sentir suas vidas interagindo com a minha. Credito isso em parte a minha criação. Meus pais sempre juntos e esforçados me fizeram amá-los e tê-los como heróis até hoje, e não como provedores frios e disciplinadores cruéis. Mas compreendo a dificuldade de muitos, seja pela experiência de vida, seja pela Pressa da vida. Leia o texto abaixo com atenção, continuo já…

“Levi Yitzhak, um velho rabino hassídico de Berdichev, na Ucrânia, costumava dizer que descobrira o significado do amor com um camponês embriagado. O rabino visitava o proprietário de uma taverna no interior da Polônia. Ao entrar viu dois camponeses em torno de uma mesa. Ambos estavam mais que embriagados. Com um braço de um sobre o ombro do outro, discutiam quanto cada um amava o outro. De repente, Ivan (bêbado) disse para Pedro (também bêbado):

– Pedro, diga-me o que me machuca.

Com os olhos quase fechados, Pedro olhou para Ivan.

– Como posso saber o que te machuca? 

A resposta de Ivan foi rápida:

– Se você não sabe o que me machuca, como pode dizer que me ama?

Você sabe o que tornou Jesus uma pessoa tão amorosa, o maior amante da história?

Ele sabia o que nos machucava. Sabia antes e sabe agora – os amores, os ódios, as esperanças e os temores, as alegrias e as tristezas de cada um de nós. Não se trata de poeira sacra. O Jesus ressurreto não é uma figura vaga no espaço sideral. Sua ressurreição não o tirou de nós; simplesmente tornou possível que ele tocasse não apenas Naim, mas Pernambuco, Ceará, toda a nação brasileira, etc…(referência pessoal). Não apenas Madalena, mas a mim. A vida cristã não tem nenhum sentido a menos que acreditemos que nesse momento Jesus sabe o que nos machuca. Não só sabe, mas, por sabê-lo, vai ao nosso encontro – qualquer que seja nosso tipo de pobreza ou dor, não importa quanto choremos, onde quer que não nos sintamos amados.” Brennan Manning

Eu sei o que me machuca??? Você sabe??? Jesus sabe. Como faria diferença lembrarmos disso nos momentos difíceis da vida. ELE SABE O QUE NOS MACHUCA. Grite isso dentro de você. Anote, acorde pela manhã lembrando dessa verdade.  Mas, e ai? E nós em relação ao outro? Ao olhar para esse bêbado frustrado penso em quantas frustrações provocamos quando não sabemos o que realmente importaria saber para se valer a palavra ‘Amigo’, para se valer a frase ‘Eu amo você’. Relacionamentos convenientes, frios, superficiais, vazios, tem a rodo por ai, infelizmente. Jesus, mais uma vez, é um exemplo a seguir. E já que falei de Jesus, não tem como não falar da sua Igreja. Ela conhece o que machuca? Ela está pronta para, conhecendo, sarar a dor ou no mínimo oferecer o remédio? Falando nisso lembro de outro texto muito profundo, escrito por Bruce Larson e Keith Miller:

“O bar da esquina é provavelmente o melhor substituto falso que existe para a comunhão que Cristo quer dar à sua igreja.

É uma imitação, distribuindo bebida em vez de graça, fuga em lugar de realidade, mas é uma confraternização permissiva, que aceita praticamente qualquer um.

É a prova de choques. É democrática. Você pode contar segredos às pessoas e elas no geral não passam adiante as suas confidências e nem desejam fazê-lo.

O bar não prospera por quase todos serem beberrões, mas porque Deus colocou no coração humano o desejo de conhecer e ser conhecido, de amar e ser amado, e muitos buscam uma falsidade às custas de alguns goles.

Creio de todo coração que Cristo quer que a sua igreja seja… uma comunidade em que as pessoas possam entrar e tenham liberdade de dizer: “Estou ferrado!” “Fracassei!” “Não aguento mais!”

Perceba, leia novamente… isso é MUITO profundo, assim como tudo que tratamos até agora. Duas coisa estão em jogo aqui. A primeira é nosso nível de relacionamento de Amizade com ‘A’ maiúsculo, nosso nível de irmande. Como ele está? Sabemos o que fere? Nos importamos com essas feridas? Como enfermeiros do Médico sabemos tratar? A segunda coisa é a Igreja como corpo e organismo vivo de Cristo, e tendo esse Cristo como exemplo será que Ela conhece o que fere? Sabe tratar? Está para os perdidos assim como Ele esteve?

Reflexões importantes creio eu. Para viver essa verdade paga-se um preço muito alto. Mas, mais alto que o preço é o efeito colateral que uma amizade honestamente amiga pode causar.

Que o nosso Amigo nos ensine a Ser.

Lucas Ferreira

Sobre Lucas Ferreira

Marido de Roberta, pai do Davizinho e do Pedrinho. Amigo e servo de Jesus sendo formado por Ele através da vida e para a Vida. Profissional de TI e atualmente empresário. Servindo apaixonadamente na amada IBC.
Como definição faço das palavras do Apóstolo Paulo as minhas: “Mas de nada faço questão, nem tenho minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira e o ministério que recebi do senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da Graça de Deus.” Atos 20:24

2 thoughts on “Diga-me o que fere

  1. É consolador lembrar que Jesus sabe TUDO sobre nossa dor: Ele sabe onde dói, como dói e onde dói. E se importa! Belíssima reflexão, Lucas!

  2. Obrigado Jamile. É confortante saber que ele sabe muito mais que a gente. Grande abraço

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