Chão de nuvens

Era uma viagem solitária, voltando da agitada São Paulo, passando por Recife rumo à Fortaleza “bela”,  que de fato, lá de cima, era de encher os olhos de tanta beleza. Não sei se era beleza mesmo, ou se era a saudade que eu sentia dos meus e de casa que ia lhe dando formosura a medida que a distância diminuía e chegava a hora de estar de volta ao lar.

Mesmo já tendo percorrido vários trechos viajando de avião, nunca uma paisagem tinha me feito fitar os olhos por tanto tempo! Incrivelmente exuberante!  Era o céu de Recife. Na verdade, pra mim, parecia mais um chão de nuvens.  A vontade que eu tinha era de pedir ao comandante que parasse no próximo ponto para eu poder saltar concluir o trajeto a pé, e de quebra, triscar o sol com a pontinha dos dedos.

Em pensamento, bem longe, me perguntei:  Seria possível explicar a incrível complexidade específica da vida por meio de um acaso? Diante do que eu estava contemplando, poderia eu dar uma chance ao acaso?

De jeito nenhum!

E se eu desse um pouco mais de tempo ao tempo? Quem sabe se eu desse mais alguns bilhões de anos ao tempo, a vida, a natureza com toda a sua ordenação poderia seria gerada espontaneamente?

De jeito nenhum! Eu não tenho tanta fé assim!

Como poderia surgir vida baseada em elementos químicos inanimados sem uma intervenção inteligente? É preciso uma enorme quantidade de fé para acreditar que a primeira criatura tenha se formado naturalmente.

Eu  precisaria de um conjunto imenso de variáveis  para empoderar o acaso de  “criador da vida, do universo”.  Seria como querer que enciclopédias de formassem de uma explosão numa gráfica! A ordem surgindo do caos! Acho mesmo que deveríamos desistir de procurar uma causa natural, afinal, o caminho entre uma célula e o cérebro humano deve ser bem longo. Não, não. Eu não tenho fé suficiente pra isso.

A vida, por mais simples que seja, exige uma certa complexidade. Algo inanimado, sem inteligência, jamais seria capaz de gerar algo complexo. O intelecto, a razão, a lógica, o instinto, a consciência, o livre-arbítrio, os pensamentos, as convicções, as emoções….só podem vir de um arquiteto! Tudo pressupõe a existência de Deus. Qualquer razão exige uma lógica, uma ordem, um planejamento, uma verdade vinda de uma fonte padrão imutável de poder imensurável. Deus!

E bem no meio dessa tempestade de pensamentos  e questionamentos de fé de uma pessoa simples como eu, formada em coisíssima nenhuma, o comandante anunciou  a localização, a temperatura e os preparativos para pouso.

Aquela imagem, o chão de nuvens,  demorou dias para sair da minha mente, mas a convicção da minha fé, essa eu vou carregar para sempre.

 

 

 

 

 

 

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