Carta aberta a Dunga

 

Por Edilson de Holanda

Dunga,

Quis escrever algo parecido com esta carta, mesmo antes da Copa, mas considerei que você, me confundindo com a imprensa “anti-Dunga”, nem a leria. Não são ideias minhas, nem mesmo são pensamentos novos. Em verdade, já estão registrados há 2.700 anos, quando Salomão escreveu os Provérbios, que sempre estiveram à nossa disposição.

O insucesso experimentado no mês passado poderia ter sido evitado. Ou, pelo menos, a antipatia ou má-vontade que muitos têm por você. Vejo algumas semelhanças entre sua vida e a do sábio Salomão. Ele também teve os olhos de um numeroso povo voltados para si. Acertou e errou. Angustiou-se ao ter de tomar decisões importantes. Mas o cargo e a responsabilidade do escritor dos Provérbios eram ainda maiores que os seus: foi rei de uma grande nação e não conheceu mãos mais ricas e poderosas que as dele. Acredito, Dunga, que as seguintes palavras do rei poderiam lhe ter sido úteis:

Não vale a pena cultivar um ego inflado, pois, “em vindo a soberba, virá também a afronta; mas com os humildes está a sabedoria” (Pv 11.2). É que “a soberba precede à ruína; e o orgulho, à queda” (Pv 16.18). É preciso saber que “a soberba do homem o abaterá, mas a honra sustentará o humilde de espírito” (Pv 29.23). Salomão sabia como é sufocante tentar cultivar uma imagem de homem inabalável. Essa é a razão porque a arrogância atrai tantos inimigos, quando estes mesmos poderiam ser aliados.

Bem melhor é ser paciente e controlar a raiva repentina diante das críticas. O certo é que “o tolo expande toda a sua ira, mas o sábio a encobre e reprime” (Pv 29.11). Além disso, quem se descontrola, contamina o ambiente e as pessoas que o cercam. Acostumado a batalhas, Salomão disse: “o homem que não pode conter o seu espírito é como cidade derrubada, que não tem muros” (Pv 25.28). Da mesma forma, quem “responde antes de ouvir comete estultícia que é para vergonha sua” (Pv 18.13).

Mesmo sendo rei, ele não rejeitou as sugestões daqueles que o rodeavam. Aceitou ser exortado e repreendido, quando necessário. E quando se considerou suficiente em sua própria sabedoria, caiu. O sofrimento lhe ensinou que “onde não há conselho, frustram-se os projetos; mas com a multidão de conselheiros se estabelecem” (Pv 15.22). E mais: “o que ama a instrução ama o conhecimento, mas o que odeia a repreensão é estúpido” (Pv 12.1). Agir por pirraça, rebeldia ou simplesmente para mostrar aos “opositores” que detém razão leva até mesmo reis a perderem o rumo de uma missão.

Certa noite, Deus apareceu em sonho a Salomão e perguntou: “O que você quer que eu lhe dê”? Dentre tudo o que poderia pedir, ele respondeu: “Dá-me sabedoria…” (I Re 3.5-9). O Senhor deu. E isso fez toda a diferença em sua vida.

Dunga, que tal recomeçar de forma diferente? Que tal eu, você e quantos mais lerem esta carta fazermos o mesmo? ”Senhor, eu te peço: faz-me sábio…”

Assessoria IBC

Sobre Assessoria IBC

Jornalista diplomada pela Universidade Federal do Ceará. Produtora, repórter e apresentadora no telejornalismo cearense e potiguar. Atualmente é Assessora de Comunicação da Igreja Batista Central de Fortaleza.

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