CANTE, DANCE E VIVA A VIDA!

 

Cante a vida, na beleza da imperfeição
Dance a vida, feche os olhos tire os pés do chão
Viva a vida, ouça os seus discos, reveja os amigos
Que o melhor nessa vida é viver de coração.  
(Sorriso Maroto)

A experiência humana é marcada por altos e baixos. Nunca nossa vida será retilínea. Somos seres de indagação por conta de nossa incompletude. Quando acharmos que temos todas as respostas, a vida vem e nos traz novas perguntas. Tenho aprendido na luta do cotidiano, na minha experiência de vida e na comunhão com meus irmãos da Igreja de Jesus que, apesar de tudo que passamos, Deus “continua sendo bom. Ele continua sendo Deus”, conforme diz a poesia cantada de Paulo César Baruk.

Ultimamente, tenho pensado sobre estas questões ao enfrentar uma luta por conta de uma doença grave que acometeu a saúde de minha mãe. Nunca imaginei enfrentar isso com ela pois sempre foi uma senhora tão forte. Todos os dias, levantava às cinco da manhã e ganhava o dia com os afazeres do lar e com suas atividades na Igreja que congrega. No entanto, hoje acamada, todos os dias que vou visitá-la e manifestar o quanto a amo, ela sempre me diz: “Meu filho, está tudo bem! Não se preocupe. Deus está cuidando de mim! Nunca senti tanta paz em meu coração como nestes dias!”

Parece loucura tal situação para uma concepção de vida que nega a existência de Deus, mas a verdadeira fé em Jesus nos traz outro prisma da existência. Como lidar com a doença? O que fazer quando tudo parece fora do lugar em nossas famílias? Será que ainda vale a pena viver? Qual a nossa postura quando somos abandonados, perdemos o emprego ou somos frustrados/traídos por um relacionamento que não deu certo? Quanto temos buscado a aprovação/amor através da conquista de títulos, posses e/ou boas obras que fazemos para nos sentirmos aceitos pelas pessoas? Afinal, qual o real sentido de vivermos neste mundo tão desumano “aqui embaixo” onde “as leis são diferentes”? – Eu sou do povo, eu sou um Zé Ninguém” (Biquíni Cavadão).

Compreendendo conforme o teólogo e filósofo Agostinho que toda verdade é uma verdade de Deus, a música citada acima me ensina algumas lições divinas muito importantes. Primeiro, “cante a vida, na beleza da imperfeição”. Nesta direção, entendendo segundo a Oração da Serenidade que, devo “aceitar este mundo cheio de pecados como ele é, e não como gostaria que ele fosse, assim como fez Jesus”, a vida pode ser tornar mais colorida, menos cinzenta, e mais leve de ser conduzida. A Palavra de Deus diz que o mundo jaz no maligno (1 João 5:19). A natureza criada pelo Senhor e destruída pelos homens, geme a expectativa da manifestação dos filhos de Deus (Romanos 8:19-22). Logo, as doenças, as catástrofes, desastres, pestes, mortandades, são frutos do caos gerado pela criatura que abandonou o Criador e está destruindo a criação. Sendo assim, nossas vidas podem tomar outro rumo se deixarmos a murmuração e começarmos a perceber a perfeição em meio a imperfeição. Aceitemos este mundo como ele é e as pessoas como elas são. Assim, seremos mais felizes do que aqueles que são perfeccionistas insatisfeitos!

Segundo, “dance a vida, feche os olhos tire os pés do chão”. Tendo os pés molhados na realidade histórica, não é possível viver sem a utopia, sem o sonho. Seja na alegria ou na tristeza, é preciso esse momento diário de contemplação, de tirar os pés do chão e focalizar os nossos “olhos espirituais” na esperança de dias melhores, “porque em esperança fomos salvos. Ora a esperança que se vê não é esperança; porque o que alguém vê como o esperará? (Romanos 8:24). Deus nos convida a ver o invisível, tocar o intocável, e sentir o não perceptível através da esperança nEle. O Sábio declara que “a esperança dos justos é alegria, mas a expectação dos perversos perecerá” (Provérbios 10:28). Dançar a vida é transpor a dor através da esperança alegre de Jesus que alimenta nossa alma e nos dá forças para continuar todo santo dia! Essa alegria esperançosa é um fruto da presença do Espírito em nós (Gálatas 5:22 comp. Neemias 8:10), “ora o Deus de esperança vos encha de todo o gozo e paz em crença, para que abundeis em esperança pela virtude do Espírito Santo” (Romanos 15:13).

Terceiro, o Pai de amor nos chama:viva a vida, ouça os seus discos, reveja os amigos…”. Neste sentido, existe uma dimensão individual e outra dimensão social da existência. Na primeira, viver a vida é ter momentos individuais de prática de um hobby. Ouvir boa música, ler bons livros, fazer cursos, praticar esportes, assistir um bom filme, fazer passeios, contemplar a natureza, tomar um fantástico banho de mar, entre tantos outros. Tudo isso, faz-nos viver a vida! Na segunda, viver a vida é também experienciar relacionamentos interpessoais e sempre “rever os amigos”. A solidão é um grande vilão que tem assaltado a vida de muitos através das crises de ansiedade, da síndrome do pânico, e da depressão, que, em alguns casos, conduzem ao suicídio. Como antídoto a esses males, a convivência social é o melhor remédio. A comunidade de Jesus através dos grandes e dos pequenos ajuntamentos são espaços onde podemos experimentar a vida de Deus que flui em meio a unidade na diversidade do povo do Senhor (Salmos 133). Palavra, partilha, louvor, testemunhos, risos, lágrimas, encontros casuais, abraços, churrascos, piqueniques, retiros, reuniões de estudo, etc. – tudo isso contribui para a qualidade de vida de todos nós que nos permite viver densamente o processo de (re)humanização.

Enfim, “…melhor nessa vida é viver de coração.” Alguém disse que as melhores coisas da vida não são coisas. Cantar, dançar e viver a vida é encontrar prazer nas mais simples atividades do dia a dia. É logo pela manhã, abrir a janela e deixar o sol entrar! Sentir o aroma do café bem quentinho que nos diz que o dia está começando. Partindo dessa maneira de viver a vida, a experiência com a doença da minha mãe tem me ensinado que posso conhecer a Deus na saúde e na doença, na escassez e na bonança, tendo tudo ou não tendo nada. Ele continua sendo bom e sendo o Deus que conduz a minha história, a nossa história. Se você, meu caro leitor, está passando por algum momento de alegria e/ou de tristeza, cante, dance e viva a vida! Enxergue a perfeição na imperfeição, com os pés no chão, fixe seus olhos na esperança em Jesus que traz a alegria ao coração e faça algo saudável que lhe dê prazer, seja sozinho e/ou na companhia de pessoas que partilham das mesmas lutas e desafios diários que você! Acima de tudo, coloque seu coração no Senhor que é a Fonte da Alegria que dá significado real à nossa breve existência sobre a terra!

Hamilton Perninck

Sobre Hamilton Perninck

Doutorando em Educação/Formação de Professores (UECE, 2016-). Mestre em Educação/Formação de Professores (UECE, 2015), especialista em formação de professores (UECE, 2010), Licenciado plenamente em Pedagogia (UNG, 2008) e Bacharel em Teologia com concentração em Ministério (SVB, 2003). Professor Pedagogo da Rede Municipal de Ensino de Fortaleza. Educador Social e Pedagogo na Associação Terapêutica Grão de Mostarda. Membro do UECE/OBEDUC (Observatório da Educação da Universidade Estadual do Ceará).

One thought on “CANTE, DANCE E VIVA A VIDA!

  1. Querido! Força nesse momento tão difícil que vc está passando

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *