Brasil, mostrando seu corpo!

exploração sexual infantil

Enquanto os exagerados iranianos foram privados de assistir à transmissão do sorteio dos grupos da Copa do Mundo de 2014, em razão do decote da apresentadora Fernanda Lima, o resto do mundo foi fisgado por um desfile que misturou qualidade musical duvidosa com sensualidade tira-gosto. Sim, porque parece ser esta a preocupação dos que pretendem atrair turistas interessados  no cardápio da exploração sexual.

A famosa cantora Margareth Menezes fechou o menu, afirmando, em absurda contradição, que o baiano tem “deus” no coração e o Diabo no quadril, música conhecida como “hino de louvor à Bahia”, como se a Bahia, digo Brasil, fosse um grande rodízio de corpos humanos para gringo ver e experimentar.

Se fossem apenas adultos conscientes e consentâneos os que se entregam à exploração sexual dentro e fora do país, já seria de todo lamentável, que dirá as milhares de crianças, adolescentes e jovens vítimas do tráfico humano para fins eróticos e sexuais. Somos um povo erotizado e alienado a ponto de aplaudirmos o que estimula a exploração sexual infantil, da mesma forma que estimulamos abertamente o consumo de álcool, enquanto queremos reprimir o resultante predomínio do crack.

A CPI do Tráfico de Pessoas da Câmara, presidida pelo deputado Arnaldo Jordy (PPS-PA), concluiu que o Brasil está entre os dez países com mais vítimas do tráfico internacional de pessoas. Segundo o deputado, “Não temos consciência da gravidade e da complexidade desse crime. É uma prática que ocorre escondida, disfarçada. O algoz se apresenta como praticando uma boa ação e isso dificulta a investigação.”

Neste caso, o algoz não é somente o indivíduo intermediário da venda de corpos por vezes indefesos, mas a forma que vendemos o Brasil para o exterior, por vezes transformando-o em um grande bordel, em uma aldeia indígena ou em uma expressão afro-religiosa, como se estas fossem as predominâncias sócioculturais do País.

Goiânia, Fortaleza, Natal, Brasília, Maranhão, Porto Velho, Boa Vista, São Paulo, Florianópolis, Curitiba, Porto Alegre são apenas alguns exemplos da diversidade cultural que não têm predomínio do samba ou do Olodum que parecem monopolizar o marketing de um Brasil que aparentemente tem vergonha de mostrar a sua cara, preferindo mostrar o seu corpo nu.

Anos atrás, a Organização das Nações Unidas (ONU), em seu relatório sobre Exploração Sexual Infantojuvenil, classificou o Brasil como o primeiro em toda a América Latina e o segundo no Mundo, ou seja, uma triste liderança que ainda lutamos para nos desvencilhar.

O Jornal O POVO publicou no dia 12/12/2013 uma matéria que mostra como a imprensa internacional classifica Fortaleza como sendo a capital brasileira da exploração sexual infantil. Lamentável, deplorável, ainda mais quando nos deparamos com o tipo de propaganda que estão fazendo para a Copa do Mundo 2014.

Mostrar o corpo, negociar a alma e explorar nossas crianças e adolescentes parece ser a alma do negócio para atrair torcedores que antes e depois dos jogos vão se alimentar do menu erótico de um país sem moral. Brasil, mostra tua cara!

Assessoria IBC

Sobre Assessoria IBC

Jornalista diplomada pela Universidade Federal do Ceará. Produtora, repórter e apresentadora no telejornalismo cearense e potiguar. Atualmente é Assessora de Comunicação da Igreja Batista Central de Fortaleza.

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