Amar não basta

não basta amar

Basta “amar” para que nossos relacionamentos deem certo? O amor que existe em nós tem sido suficiente para sustentar nossos vínculos de afeto? Veja isto:

“Um pouco antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que havia chegado o tempo em que deixaria este mundo e iria para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim”. (João 13:1)

A passagem acima se deu um pouco antes de Jesus lavar os pés de seus discípulos na última ceia que tiveram juntos. Faltava pouco tempo para que o Cristo fosse traído e entregue a seus algozes. Então João, o narrador dessa história, enfatiza que Jesus não só amou o seus, mas os amou “até o fim”.

Afinal, todo amor não se dá “até o fim”? Em tempos de relativismo absoluto de valores e princípios morais de uma sociedade, em que os referenciais são derrubados em fileira como peças de dominó, em que soa retrógrado e piegas para muitos ouvir falar de valores absolutos, o autor do texto parece ter enfatizado para o nosso tempo que Jesus não amou de qualquer jeito e não somente amou, mas ultrapassou qualquer conceito relativo, terreno e casual de “amor”.

Quem daria a vida por um amigo? Ou melhor: quem sendo Deus resolveria tornar-se homem para dar a vida por aqueles que o trairiam? Jesus nos ama de forma extraordinária. Ele é o próprio amor, mas, mais do que isso, Ele é o “amor além do amor”.

Quantas vezes somos tentados a desistir de nossos relacionamentos! Dizemos que já fizemos de tudo, que o amor cansou, que as forças se acabaram. Há laços afetivos que já reputamos como encerrados, pessoas que amamos mas por quem já não conseguimos lutar. Isto porque apenas amamos, quando deveríamos “amar além do amor”, ou seja, “amar até o fim”.

É verdade: não somos capazes  de algo mais além de “amar”. Mas Cristo nos desafia: “… Como eu os amei, vocês devem amar-se uns aos outros”. (Jo 13:34). E antes que o desespero da impotência nos tome, Jesus diz como podemos cumprir essa missão: “Eu pedirei ao Pai, e ele lhes dará outro Conselheiro para estar com vocês para sempre, o Espírito da verdade (…) vocês o conhecem, pois ele vive com vocês e estará em vocês”. (João 14:16-17).

Talvez a razão dos insucessos em nossas tentativas de amar esteja em buscar a fonte desse amor em nós mesmos. Se for assim, o máximo que produziremos será um amor sincero, porém não suficientemente profundo e duradouro. Talvez romântico, mas não espiritual. Jesus ama, nos mostra como ama e nos ajuda a amar. Ele é a fonte do amor que não acaba, capaz de levar alguém a lavar os pés de seu próprio traidor, alguém com eu, você e Judas.

Quando não conseguirmos amar o próximo como Jesus ama, devemos novamente nos lembrar de que Ele nos ama até o fim, ou seja: enquanto existirmos, Cristo continua a existir e a nos amar da mesma forma, na mesma intensidade e com o mesmo “limite” de tempo: o fim! É uma fonte que nunca seca e nos abastece para uma finalidade prática: amarmos uns aos outros, apesar de todas as contradições dos outros e nossas. É um amor com uma medida especial: como Ele nos ama.

Difícil? Mas não basta amar. Tem que ser amor além do amor. Tem que ser até o fim.

Edilson de Holanda

Sobre Edilson de Holanda

Advogado, blogueiro e cristão. Não necessariamente nessa ordem! Quando criança, ouviu uma frase que mudou sua vida: “A excelência de um homem se conhece pela grandeza das causas que defende e pelo preço que está disposto a pagar por essas causas”.

One thought on “Amar não basta

  1. Realmente o amor de Deus faz milagres em nossas vidas. Obrigada Edilsom por compartilhar palavras tão lindas espiritual sobre o Nossa Criador . Abraços

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *