A ditadura do silêncio

Atenas era o símbolo das escolas filosóficas e um centro das manifestações das mais diversas crenças, a ponto de ter em suas ruas e praças, ídolos – estátuas de deuses e homens –, como em nenhum outro lugar.

O sincretismo e a pluralidade de pensamento era tal que, segundo Paulo, o apóstolo, havia em meio às estátuas uma dedicada ao “deus desconhecido”.

Os cidadãos de Atenas eram também conhecidos pelo interesse por novidades e debates públicos, sem imposição de censura, salvo em raros incidentes históricos, como o “caso Sócrates”.

Sócrates foi censurado por discordar dos oráculos de Delphos e proclamar a existência de outros deuses além do panteão ateniense.

Os pseudodemocratas dos nossos dias apedrejariam o apóstolo Paulo e todos os outros que ousassem discordar publicamente de qualquer doutrina ou prática do ‘establishment’, ou seja, aquilo que é considerado preferência das massas e propriedade dos poderosos.

Ditadura do silêncio: Não ouça; não veja; não fale

Estamos vivendo a ditadura do silêncio, onde discordar, pontuar possíveis desvios ou apresentar uma alternativa de crença ou conduta recebe a imediata pecha de “preconceituoso”. Perdemos a capacidade de ouvir e examinar as evidências, antes de apelar para a ditadura do politicamente correto.

Ser respeitado e reconhecido passa pela generalização de que tudo leva ao bem, que desvios de conduta e comportamento não existem e que, em nome do amor e da paz, teremos de engolir veneno com etiqueta de vitamina espiritual.

Além do plano divino para a redenção e regeneração da humanidade, Jesus foi levado ao calvário pelos que não suportaram sua vida pouco enquadrada aos ditames da coroa e da religiosidade oca. Jesus falava e vivia em paz, mas também empunhava o azorrague e fazia denúncias religiosas que valiam a salvação dos que amavam a verdade, enquanto despertava o furor dos que não suportavam ser contrariados.

Nossas leis e nossos costumes pós-modernos vão colocar uma mordaça nos discordantes e criminalizá-los por considerarem que o Estado deveria ser neutro, que a imprensa deveria se ocupar com fatos, que as pessoas teriam o direito de mudar seus conceitos e práticas e que seria possível discutir ideias sem tornar o mérito pessoal.

Mas, como disse o apóstolo Paulo: “ …haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas” 2 Timóteo 4:3,4

6 thoughts on “A ditadura do silêncio

  1. Compartilho desse pensamento, Pastor. Vivemos em uma pretensa sociedade democrática que, contraditoriamente, tem sido permeada pela ditadura do silêncio. Não inflamamos a intolerância religiosa, queremos apenas o direito de discordar e negar essa relativização oca. Enquanto for possível, não me eximirei de dialogar.

  2. Pr. Armando, vejo que com o PNDH-3 os arquitetos desse plano tornarão a vida dos cristãos ainda mais difícil. Triste mesmo é ver que muitos cristãos, em nome da pretensa “justiça social” pregada por estes que hoje detém o poder, juntaram-se com tais movimentos sem saber que o Cristianismo é uma das coisas que estas pessoas mais detestam, e que sua vontade é mesmo a de acabar com a fé Cristã.

    Mas ao invés de fazer como Nero e persguir fisicamente os Cristãos, estes homens decidiram acabar com a igreja infiltrando-se nela e destruindo-a por dentro.

    Jesus é por nós, mas tempos ainda mais difíceis estão por vir.

  3. Infelizmente muitos cristãos têm apoiado e aberto as portas da igreja para essas pessoas que querem a todo custo destruir qualquer resquício de tradição cristã na sociedade. Quem denuncia esse embuste é duramente perseguido vide o que aconteceu com o escritor Júlio Severo.

    O politicamente correto é uma ideologia, irmã do liberalismo teológico, que tem servido como instrumento de uma engenharia social muito bem articulada e planejada para a vinda de uma nova ordem global.

  4. Sou apaixondo pelo mundo grego, mas reconheço seus erros, principalmente no campo religioso. Ora eles nunca foram DEMOCRATAS, como querem “todos” que defendem a maravilha cultural grega, na verdade DEMOCRACIA no mundo grego nunca foi “O governo do povo, pelo povo”, essa é uma frase Americana; Democracia para os gregos era o “Governo do Demo, onde Demo é homem grego, fora todos os outros, que vive a Polís grega, (viver a polís é ser político e nunca cidadão)”.
    Em resumo DEMOCRACIA para os gregos é um grego político que impõe sua cultura (KULTUR palavra utilizada para sibolizar todos os aspectos espirituais de uma comunidade). E sim os gregos faziam escravos, para impor seu modo de pensar e tal prática era defendida por Aristoteles. Hoje vivem uma Democracia (grega), estamos sendo escravizados e forçados a aceitar uma CULTURA, “liberal”; precisamos de um salvador. Que seja JESUS.

  5. Essa semana li que um pastor foi preso na Escórcia por pregar que o homossexualismo é pecado…é vergonhoso isso! Agora temos que calar a verdade? Pra que sejemos enquadrados nos moldes da sociedade pós moderna, sociedade que nao surpotará a sã doutrina!
    Não calemos. Cristo nao calou.

    Deus nos fortaleça na graça e na misericordia Dele!

  6. Ótimo e profundo artigo!!! Gostaria de dialogar com os comentários, dizendo que temos que tomar muito cuidado para não confundirmos a a defesa da Fé, com a pauta de DIREITA que muitas vezes se disfarça com manto cristão. Por um lado, estamos estarrecidos na “esquerda” com o crescimento das liberalidades de costume e dos defensores da “diversidade” sexual cada vez mais presentes no estado, equanto os cristãos se privatizam e não estão nem aí aos assuntos públicos. Por outro, temos uma DIREITA, que defende a propriedade ilimitada que gera pobreza e injustiças, o ‘establishment’ a todo custo, e quer passar para os cristãos uma pauta tão contraditória que reune p. ex. combate ao aborto, apoio às políticas que aumentam a miséria e apoio às guerras no mesmo pacote (em defesa da vida?! que vida?). O nosso Cristo, ao contratário de armar torcidas de direita e esquerda, penetra com sua palavra até o ponto de “discernir os pensamentos e propósitos do coração”. Isso sim é revolucionário e nos dá força para rompermos com essa ditadura do Silêncio (seja de direita ou de esquerda, grega ou romana, laica ou religiosa).

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