09.12.11 15:42
Nesses dias que antecedem a virada do ano andei fazendo as famigeradas “reflexões de fim de ano”. Pensei sobre o tempo ou a falta dele. Tarefas, rotinas, compromissos, horários e todo o pacote que compreende essa tal modernidade. Cada vez menos tempo para as coisas simples da vida como brincar com os filhos, almoçar em família, contemplar a natureza… e cada vez mais doenças crônicas provocadas pelo stress.
Vivemos numa sociedade capitalista movida pelo acúmulo, consumo e por inovações tecnológicas que imprimem um ritmo de vida artificial e alienado. As pessoas são coisificadas, os valores são relativizados, as relações humanas são mercantilizadas. Preferimos o virtual ao real, o ter ao ser, o fazer ao permanecer. E assim vamos caminhando para um modelo de humanidade onde o trabalho é condição de existência e as relações sociais se constituem a partir de interesses e vantagens, dominação e subserviência, competição e acúmulo. O tempo virou sinônimo de dinheiro - que pode ser ganho, desperdiçado ou gasto.
Confundimos lazer com consumo, riqueza com apropriação, prazer com satisfação de desejos, e assim vamos movendo a engrenagem do sistema capitalista. Ao invés de qualidade de vida, esse sistema e seus ditames, por vezes, acaba nos lançando nos buracos negros da indiferença. Sentimentos, gestos, experiências vão se tornando bichos de sete cabeças, difíceis de serem decifrados. E nesse passo vamos nos transformando na geração dos desequilíbrios – sejam corporais, emocionais ou psicológicos – muito diferente daquilo que Deus planejou para nós. Cada vez menos tempo para tudo que é importante, e cada vez mais tempo para alienações.
Pensando em tudo isso e na minha própria vida, cheguei à conclusão que não posso sair desse sistema, mas posso dar a real importância ao “tempo que o tempo tem”. Assim, em 2012, abro mão dos pensamentos positivos e decido ter cinco minutos a mais para sentar à mesa, conversar com um amigo, brincar com minha filha, ler a bíblia, namorar o meu marido, apreciar a criação, ouvir uma música, bater um papo com Deus…
(*Deive Ulhôa é casada, mãe e assistente social voluntária do Alcance Social, iniciativa da Igreja Batista Central de Fortaleza que apoia ações solidárias)
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Comentários | 7 Comentários
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Fabíola Parente 09.12.11 | 16:00
Sua reflexão traduz exatamente meus anseios e posicionamentos. Dá vontade de ler e reler de tão real, simples e sincero. Que Deus nos dê sabedoria e firmeza para buscarmos sempre o que realmente importa. “Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo.” Romanos 14:17
Elissa 09.12.11 | 16:06
Amém!!!! Que 2012 seja repleto de olho no olho, pés na areia, almoços em família, comunhão com irmãos, vida na vida….
Siqueira 10.12.11 | 10:09
Que realidade, embora cruel, mas reflete tudo que somos no atual momento do consumismo, Jesus termina sendo deixado de lado. Parabéns!
Daniel de Mattos 10.12.11 | 10:49
Obrigado Deive, seu texto me abençoou muito. Como diz a Fabíola “Dá vontade de ler e reler” pensando em cada detalhe da vida, em cada filho, em cada amigo, na natureza que nos cerca, no Deus criador e pai. Textos como esses nos ajudam a sair da roda viva do ativismo.
Miguel 13.12.11 | 09:25
Muito Bom! Pensar no tempo e nesta vida corrida trás uma angústia. Mas quando usamos melhor o tempo em coisas certas e importantes este tempo transforma satisfação. Tenho que aprender usar melhor meu tempo…
Roberta Wadner 13.12.11 | 15:47
Ao ler seu artigo lembro do texto de Neemias 4 onde menciona que onde o inimigo tenta destruir a boa obra se infiltrando na família, e cm certeza a falta de tempo a ela é uma das armas que o inimigo usa. Busco vigiar quanto a isso pois já errei muito não tendo tempo para minha família e hoje busco prioridade nisso, louvo a Deus por sua maravilhosa graça em nossas vidas.
Que Deus continue a abençoar sua família e as nossas. Que neste 2012 possamos dedicar mais tempo a elas.
Bjs
Sergio Murback- São Paulo 30.12.11 | 13:15
O tempo todos podemos administrar conforme a necessidade que temos e objetivos que fora proposto no início do ano ou a cada final de ano fazemos algumas promessas para todo o ano. Cuide e faça consoante as necessidades e prioridades básicas e posteriormente o que não for supérfluo. Sabedoria no administrar seu tempo.