06.01.11 12:29
A culpa das inundações na Austrália
Na Austrália, “terra dos cangurus”, desde o fim do ano passado, chuvas torrenciais vem causando destruição afetando 200 mil pessoas diretamente prejudicadas pelos alagamentos. Quase 4 mil pessoas em todo o Estado de Queensland foram retiradas de suas casas desde que as chuvas começaram. Cerca de 1.200 casas ficaram inundadas, enquanto outras 10.700 sofreram algum tipo de dano na área afetada, que é superior aos territórios somados de Alemanha e França. As inundações causaram grande impacto econômico na região, provocando o fechamento de 75% das minas de carvão e destruindo plantações. O valor total ainda não foi estimado, mas a reconstrução de casas, comércios, indústrias e demais infraestruturas pode custar mais de US$ 5 bilhões.
Os meteorologistas australianos alertam que as chuvas vão demorar para cessar e culpam o fenômeno climático La Niña –que teria trazido as chuvas ininterruptas que elevaram drasticamente o nÃvel das águas dos rios.
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Chamou-me atenção o fato de os australianos atribuÃrem culpa ao fenômeno climático “La Niña“ que, além de prejuÃzos materiais e desconfortos vários, já ceifou a existência de 10 pessoas. Desde quando a Natureza pode ser “culpada” ou mesmo “responsabilizada” por ela ser ela mesma, pelos fenômenos que produz??? Isto mostra claramente que o homem não se sente integrante da Natureza e sim como se fosse um ser à parte desta.
Quando o assunto é “Natureza”, é preciso ter humildade para admitir que o homem – com toda sua mais avançada tecnologia preventiva – não tem controle sobre todos os fenômenos da Natureza, os quais podem ser fatos originados pelas próprias forças das circunstâncias ou podem ser uma natural resposta à s constantes agressões que o Homem vem causando ao meio-ambiente, na maioria das vezes motivados pelo lucro somado ao abuso do conforto material, sem querer pagar o preço da ambição. É dever do homem prevenir, ao máximo, situações como desrespeitar as forças da Natureza, com construções em locais indevidos, por exemplo.
O que fazer? O que pensar, diante do que nos foge do controle?
O começo de tudo é saber quem se é; por que estamos aqui-agora; o que viemos a fazer neste planeta e como devo me relacionar com o próximo (incluindo-se aqui o meio-ambiente).
Simplificando, o homem é um complexo trinitário composto de EspÃrito (Ser, Essência), PerispÃrito (corpo espiritual, corpo astral) e corpo fÃsico (visÃvel e tangÃvel). Esta é uma grande contribuição que nos trouxe o Espiritismo, a partir de 1857.
Estamos, aqui-agora, na Terra, por uma razão superior. No passado, fomos criados por Deus, à sua imagem e semelhança. Um dia, estivemos ligados a Ele. Depois, entramos na busca pela RE-ligação à Divindade – daà ter surgido o termo “re-ligião”, que vem do latim “religare“. Só se religa o que antes esteve ligado. É viável supormos que na ligação anterior, não tinhamos consciência da mesma, estávamos/éramos inconscientes de estarmos/sermos ligados a Deus. Hoje, o homem vem tateando, cada um a seu tempo e modo, seu “caminho de volta prá casa”. Ligar-se a Deus, mas com total consciência. Este é o papel principal das religiões: auxiliar o profitente a atingir o “Reino de Deus”,mas lembrando que este mora e está “dentro de cada um”. Não adianta buscá-Lo fora.
Cada um veio ao planeta-escola para aprender algo mais , a partir da “matrÃcula” (nascimento). Viemos retirar mais uma camada do ego que encobre o Eu luminoso que somos – que é Deus em nós, o Cristo por nascer. Viemos despertar a nossa espiritualidade com o reconhecimento de que estamos aqui, mas não somos daqui.
Sabendo quem se é e o que veio fazer na Terra, somente aÃ, ficará mais fácil entender e compreender o próximo, o outro que é feito da mesma matéria-prima de imagem e semelhança divinas. Esta consciência de ser um Ser, que porta Deus dentro de si, que reconhece Deus no outro, se amplia e passa a reconhecer Deus presente nos outros reinos da Natureza – mineral, vegetal e animal – com os quais descobrirá que é preciso respeitar e bem conviver com estes irmãos nossos na criação.
Um dia, sairemos da separatividade que ainda nos encontramos, culpando os outros, as coisas, numa postura que revela imaturidade e falta de auto-responsabilidade. Um dia, haveremos de descobrir que estamos conectados uns com os outros, afetando e sendo afetados, recebendo o que dou.
Sugiro que façamos preces, diariamente, para que o povo australiano possa sair fortalecido dessa traumática experiência, com fé, paciência, resignação e muita solidariedade uns com os outros. Se orarmos em grupo, mais forte chegará a benéfica energia que a prece coletiva desloca até seu destino. Orar à distância é também uma forma de caridade com os que estão em dificuldades, quando não podemos estar presencialmente.
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