“Kong: A Ilha da Caveira” – Os horrores inesperados da guerra

Helicópteros barulhentos, a quentura das terras vietnamitas, uma localidade inóspita onde soldados treinados para um tipo específico de guerra encontram algo para o qual jamais foram preparados. Podia muito bem ser a sinopse de “Apocalypse Now”, clássico de Francis Ford Coppola, mas, na realidade, fala sobre “Kong: A Ilha da Caveira”, a nova versão do verdadeiro rei das selvas, 11 anos após o filme de Peter Jackson.

Sob comando do desconhecido Jordan Vogt-Rob, que se mostra um realizador competente, o filme não realiza a clássica adaptação do gorila gigante. Não há uma moça loira em perigo em cima de um abismo, nem ele é levado para fazer parte da rede de shows estadunidense. No lugar, temos o cientista Bill Randa (John Goodman), que busca descobrir os segredos da Ilha da Caveira. O escoltando, temos o mercenário-protagonista-padrão James Conrad, interpretado por Tom Hiddleston, o coronel Preston Packard (Samuel L. Jackson) e a fotógrafa antiguerra Mason Weaver (Brie Larson).

Sem medo de apresentar sua obra, o Vogt-Rob não exita em mostrar Kong em toda sua glória logo nos primeiros minutos do longa. Não há criação de suspense, ou colocação do símio nas sombras. Algo que, convenhamos, seria desnecessário e criaria uma antecipação aborrecida para conhecermos algo que já foi visto tantas outras vezes. Atacando os invasores de seu habitat sem piedade, Kong separa os integrantes da expedição, os forçando a adentrar a uma jornada de reencontro e fuga, enquanto escapam das outras criaturas gigantes da ilha.

Comparar “Kong” com “Apocalypse Now” é fácil, mas é na obra original, o livro “Coração das Trevas”, de Joseph Conrad, onde o novo longa encontra suas maiores inspirações. Desde tomar emprestado o nome do autor para seu protagonista, até criar de forma competente o clima de desespero em um ambiente agressivo, os diálogos entre as obras são claros. Como no livro, os militares enfrentam grande pressão psicológica com os perigos encontrados, chegando a um ponto de quebra e angústia palpável para o expectador.

A construção do clima pesado de guerra, contudo, não retira o aspecto canastrão do filmes. E esse talvez seja seu ponto mais positivo. “Kong” sabe que se trata de um filme sobre um gorila gigante, e que sua audiência procura isso, no fim das contas. Abraçando esse aspecto e apresentando lutas grandiosas entre o símio e outros gigantes da ilha, o longa é inteligente o suficiente para ampliar o conceito apresentado neste primeiro momento, possibilitando várias sequências no futuro. Logo, não saiam da sala antes da cena pós-créditos por nada desse mundo.

Com uma fotografia bonita, cenas divertidas e exageradas, “Kong: A Ilha da Caveira” é mais um ótimo blockbuster desse início de 2017. Com um futuro já sendo pavimentado, é seguro dizer que iremos ver em breve o mundo tremer novamente quando o Rei gritar selva adentro.

Cotação:Nota 6/8

Ficha técnica
Kong: A Ilha da Caveira (EUA, 2017). Aventura. De Jordan Vogt-Rob. Com Tom Hiddleston, Samuel L. Jackson e Brie Larson. 120 min.

Hamlet Oliveira

Sobre Hamlet Oliveira

Jornalista. Louco por filmes desde que ficava nas locadoras lendo sinopse de filmes de terror. Gasta mais dinheiro com livros do que deve. Atualmente tentando(sem sucesso) se recuperar desse vício.

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