Forcaos: Ceará & Rock entrevista baixista da banda gaúcha Rebaelliun

Foto: Cristiano Machado
Foto: Cristiano Machado

Estamos em pleno FORCAOS, que começou no final de semana passado (23 e 24 de julho) e continua neste final de semana (29 e 30 de julho). Tivemos oportunidade de conversar com as duas bandas “visitantes” do festival cearense, a gaúcha Rebaelliun (por ocasião do festival Abril Pro Rock, realizado no final de abril na capital pernambucana) e com a pernambucana Inner Demons Rise.  Primeiro, confira nosso breve papo com Lohy Fabiano, da Rebaelliun . Amanhã postaremos a segunda entrevista, que será com o pessoal da banda pernambucana.

Daniel Tavares: A Rebaelliun é uma banda que passou muito tempo parada. Eu queria saber o que fez vocês considerarem que esta era a hora de voltar, o que os motivou a estar de volta no mercado?

Lohy Fabiano: Na verdade, desde que a banda acabou em 2002 que a gente tinha um sentimento de que o Rebaelliun ainda tinha o que apresentar, a gente tinha o que mostrar com a música do Rebaelliun, só que, nesse hiato de quase 15 anos, a gente sempre percebeu que não era o momento ainda. Cada um estava envolvido com outros projetos pessoais, uma outra realidade que não nos permitia investir 100% ou o necessário que é importante investir pra banda voltar com tudo… lançando disco… voltando pra tocar ao vivo. Agora que a gente conversou, na metade do ano passado, na metade de 2015, trocando uma ideia com a galera, a gente começou a perceber que existia essa possibilidade e que aquele sentimento que a gente tinha deixado em 2002, que a gente tinha trabalho relevante a mostrar, que a gente ainda tinha música a compartilhar com as pessoas, voltou à tona. Então a gente resolveu conversar, organizar a logística, porque cada um mora numa cidade, mas aí, acabou sendo o momento certo, cara. Nada acontece por acaso e esse era o momento da gente voltar com tudo.

Daniel Tavares: E a avaliação que você faz do cenário brasileiro atualmente?

Lohy Fabiano: Cara, é diferente porque existem dois cenários diferentes, né? Existe um menor investimento na parte física da música, que é a compra de CDs, a compra de material, porque tudo fica muito mais acessível virtualmente. A galera vai pro YouTube, vê o show de uma banda, vê um clipe, enfim, mas, em contrapartida, os shows estão cada vez mais profissionais, a galera tá apostando cada vez mais em profissionalizar a cena nesse sentido. Então acredito que só tende a melhorar. Já está muito melhor do que já foi na metade, final dos anos 90, que foi quando a gente começou, mas a tendência é melhorar cada vez mais. Eu não vejo como negativo, eu acho que está numa crescente. Vai melhorar cada vez mais.

Banda gaúcha se apresenta no Forcaos.
Banda gaúcha se apresenta no Forcaos.

Daniel Tavares: E esse é o primeiro show depois da volta [a entrevista foi realizada durante o Festival Abril Pro Rock, em Pernambuco, no final de abril de 2016]. O que você está sentindo?

Lohy Fabiano: Cara, é um misto de muita emoção. Eu particularmente tenho uma emoção diferente porque os outros estiveram no palco depois, né? O Fabiano com o THE ORDER, com o ANDRAUS, o Sandro com o EXTERMINATE… eu que pelo Rebaelliun não havia subido em um palco desde 2002. É muita emoção. É muita energia contida para liberar no palco hoje.

Daniel Tavares: E quais são os próximos planos de vocês?

Lohy Fabiano: A gente está lançando o CD novo agora em maio, metade de maio deve estar sendo lançado por um selo holandês…O plano do REBAELLIUN é tocar muito pra promover o álbum, fazer bastante datas aqui no Brasil, tocar lá fora, tocar em pico em que a gente não foi ainda, promover bastante o álbum e seguir tocando ficha. Na sequência gravar mais um disco novo. Enfim, continuar os trabalhos de onde a gente parou.

Daniel Tavares: Vocês já foram umas quatro vezes pra Europa. Já tem alguma coisa agendada?

Lohy Fabiano: Já. Já está rolando uns festivais de verão agora pra metade deste ano. Em agosto a gente está confirmado já pro Brutal Assault, na República Tcheca, lá em Praga. E tá rolando a confirmação pra um outro festival lá na Alemanha chamado Party.San. Então a gente vai, lá pelo dia 10 de agosto, a gente vai subir lá pra Europa, a gente vai fazer esses dois festivais lá e se rolar mais alguma data a gente aproveita e faz lá também.

Daniel Tavares: O KRISIUN também está tocando lá fora, fazendo turnê com o CANNIBAL CORPSE. Vocês e o KRISIUN começaram mais ou menos na mesma época, as duas bandas são consideradas parte da “trindade” do Death Metal gaúcho. Como é que você vê tudo isso?

Lohy Fabiano: É muito legal porque, na verdade, a gente sente muito orgulho de dizer que o KRISIUN é um grande influenciador do REBAELLIUN. Eles são mais antigos que nós, são de uma geração mais antiga, mas é isso aí. Um acabou puxando o outro, a gente se espelhou muito não só na parte sonora do KRISIUN, mas também na atitude de botar 100%, investir 100% na banda, fazer virar a banda como um meio de sustento. O metal lá no Rio Grande do Sul é muito forte. O KRISIUN é um dos pilares do metal extremo lá e é legal saber que a gente está ajudando a levar esse som da galera do sul pro Brasil e pro resto do mundo.

Daniel Tavares: E do nordeste, do metal nordestino, o que você conhece, daqui de Recife ou lá de Fortaleza?

Lohy Fabiano: Cara, eu vou te ser bem sincero. Eu andei muito tempo afastado da cena, comecei a retomar os trabalhos agora na metade do ano passado. O que me fica do Nordeste, não especificamente de Fortaleza ou de Recife, é o HEADHUNTER D.C., com quem a gente tocou em Salvador em 2001, banda conhecidíssima, antiguíssima também e outra grande referência do Death Metal aqui do Nordeste.

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Daniel Tavares: Tá certo. Quero só que você deixe uma mensagem final.

Lohy Fabiano: Quero agradecer bastante à galera que tem apoiado o metal extremo e à cena metal no Brasil inteiro. A galera do Nordeste está de parabéns. Sempre que a gente vem pra cá é muito bem recebido, sabe da força da cena que existe aqui no Nordeste. E é isso aí, continuem prestigiando as bandas autorais, as bandas nacionais, curtam, comprem o material, vejam as bandas ao vivo…Quero também agradecer à galera que tem nos ajudado e não deixou o nome da banda ser esquecido durante esses quinze anos de hiato em que a gente ficou fora e agradecer à galera que também está dando um apoio grande nas redes sociais. É um prazer estar de volta e a gente vai mandar ver.

(Reportagem: Daniel Tavares)

Aflaudisio Dantas

Sobre Aflaudisio Dantas

Repórter com passagem pelo jornal O Povo. Como membro da equipe de esportes do jornal, atuou na cobertura da Copa do Mundo, em 2014. Também fez coberturas sobre os principais clubes do futebol cearense e escreveu sobre outros esportes. É fascinado por rock e por contar e ouvir boas histórias

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