Juninho, baixista do Ratos de Porão, fala da expectativa por show em Fortaleza

Foto: Divulgação
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A histórica banda Ratos de Porão retorna a Fortaleza neste sábado, 7, para mais uma apresentação pra levantar o público cearense. O show será no Beach Club, localizado na Praia de Iracema, e marcará o lançamento do novo disco do grupo, o “Século Sinistro”. Com mais de 30 anos de estrada, o Ratos de Porão é uma das mais tradicionais e importantes bandas de hardcore do Brasil, sendo reconhecida em todo mundo.

A banda é formada pelo polêmico João Gordo (vocais), Jão (guitarra), Boka (bateria) e Juninho (baixo), que falou com exclusividade ao Ceará & Rock. Ele, que é o integrante mais recente desta formação, falou sobre sua carreira, de como aconteceu o convite para entrar no grupo, sobre projetos paralelos, “Século Sinistro”, veganismo, projetos para 2015 e expectativa pelo show deste sábado. Confira:

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Ceará & Rock: Pra começar, gostaria que você comentasse um pouco sobre sua entrada no Ratos De Porão. Você foi o último integrante dessa formação. Em quais circunstancias isso aconteceu? Você começou como roadie, não é verdade?

Juninho: Em 2002, o Ratos de Porão ficou o ano todo sem tocar, foi quando o [João] Gordo operou o estômago, daí a equipe foi trabalhar em outras bandas e quando renovaram a equipe pra volta aos palco me chamaram pra trabalhar de roadie, foi assim que comecei por aqui. Alguns meses depois o baixista Fralda anuncia aos caras que quer sair da banda, isso foi no meio de 2003, desde lá comecei a tocar e estou até hoje.

Ceará & Rock: Antes de entrar no grupo, como era sua vida? Já os acompanhava? Era fã? Imaginava que um dia seria parte do RDP?

Juninho: Minha vida sempre foi voltada pra música, já tinha outros grupos, já viajava bastante, então o ritmo apenas aumentou estando com o RDP. Era tudo que eu queria, ter a música ainda mais envolvida no dia a dia. Sou fã desde bem novo, assisti a primeira vez, o Ratos ao vivo, no começo de 94, na época do Walter no baixo, foi no Olympia, em São Paulo, eles estavam abrindo pro Helmet. Nunca pensei que tocaria numa banda como essa; mesmo quando estava de roadie, nunca tinha passado pela minha cabeça, foi uma surpresa na época e aproveito isso muito todos os dias.

Ceará & Rock: Essa formação do Ratos parece ser a mais estável de toda a história do grupo. Em sua opinião, por que acha que houve tantas mudanças, especialmente de baixistas?

Juninho: Cada mudança na formação tem uma história por trás, no filme “Guidable” eles contam algumas delas, por isso não existe um motivo específico para isso. A idade de todos também faz a banda se tornar mais estável, todo mundo mais vivido, mais tranquilo para enfrentar algum problema, então assim fica mais fácil de resolver algum problema.

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Ceará & Rock: Sem contar com o Split gravado com o Looking For an Answer (2010), se passaram seis anos desde o último lançamento inédito, que foi o “Homem Inimigo do Homem”. até que vocês lançaram o “Século Sinistro”. Como funcionou o processo de composição, gravação e produção deste álbum?

Juninho: Desde a época do Split, já existem algumas músicas que entraram pro Século Sinistro. Foram diversos problemas somados, que atrasamos tanto para gravar esse disco. Cada ano que passava ia ficando pior, até que um dia marcamos o estúdio e fizemos um intensivo para terminar de vez o que tínhamos em mente. Dividimos as composições, nos juntávamos, íamos criando, tem ideia de todo mundo ali, e por fim conseguimos ensaiar até a gravação.

Teve uma pré-gravação que nos ajudou demais, no próprio estúdio onde gravamos, uma semana antes da gravação definitiva, estávamos 24 horas com as músicas na cabeça, e quando se grava um disco, o que vale mesmo são esses momentos próximos à gravação, fica tudo fresco na mente. Ele foi gravado no estúdio Family Mob, em São Paulo, e o Kbelo Sangiacomo foi o responsa que pilotou a mesa. Somamos a experiência dele com nossas ideias para mixarmos, foi tudo bem rápido, sem nada de rodação de lâmpada, o resultado agradou a todos e combinou com as músicas.

Ceará & Rock: E como tem sido a recepção dos fãs a este ótimo disco?

Juninho: Como ficamos muitos anos sem lançar nada, a recepção foi muito boa! Tinha muita gente esperando por um disco novo, e também pegamos pela primeira vez essa onda da internet pra divulgarmos o trabalho. no último disco, “Homem Inimigo do Homem”, não existia facebook e não me lembro do youtube ser assim tão conhecido, então essas ferramentas ajudaram bem pro disco chegar em tudo que é lugar.

Entrevista-Juninho-Ratos-de-Porão-show-neste-sábado-Fortaleza1Ceará & Rock: O Ratos de Porão é pioneiro da cena Punk Rock no Brasil, mesmo depois de anos de estrada, fez um álbum muito atual, isso é um incentivo para as novas bandas não pararem no tempo?

Juninho: É impossível o Ratos não fazer um disco atual, a banda nunca acabou, estamos sempre viajando, escutando bandas novas, isso faz você não ficar estagnado no tempo.

É óbvio que os discos clássicos de nossas vidas são intocáveis, mas não significa que iremos ficar tocando sempre aquilo pra sempre, é natural compor dessa forma. Espero que isso seja sim um incentivo a todos para acompanharem tudo que está acontecendo no mundo, que, tanto na música quanto na política, tudo vai mudando e quem não acompanha acaba morrendo nos mesmos esteriótipos.

Ceará & Rock: O grupo tem uma grande importância política e nos últimos anos o País tem vivido momentos de grandes turbulências. Vários esquemas de corrupção, brasileiros nas ruas, black blocs, confrontos com a polícia. Esse álbum do RDP possui alguma canção sobre isso? Qual(is)?

Juninho: Não posso citar apenas uma ou duas músicas que falam sobre isso, mas sim o disco inteiro, o próprio tema, “Século Sinistro”, já traduz tudo o que está dentro dele.

O Gordo sempre escreveu dessa forma, temas de jornais, acontecimentos diários, que envolvem absurdos feitos contra a população; estamos aqui para mostrar que existe muita gente contra isso, muita gente preocupada com a situação a qual o estado nos coloca.

Entrevista-Juninho-Ratos-de-Porão-show-neste-sábado-Fortaleza2Ceará & Rock: Sobre você. Além do Ratos de Porão você possui outros projetos. Poderia nos falar um pouco sobre eles?

Juninho: Fora do RDP, estou tocando no O Inimigo, que é uma banda que tenho desde 2001 e que passou por algumas mudanças na formação, mas de 2011 pra cá temos uma formação bem estável.

N’O Inimigo temos uma pegada mais melódica, mais na linha das bandas da Dischord Records, como Dag Nasty, Embrace, Gray Matter… E quando não estou tocando com o Ratos sempre conseguimos alguns shows. Quem quiser dar uma procurada temos site, bandcamp, facebook, rola de ouvir toda discografia, agenda de shows, etc.

Ceará & Rock: Você é vegano e straight edge. Como isso começou e o que te influenciou a tomar esses caminhos

Juninho: Me tornei sXe (um tipo de abreviação para Straight Edge) quando comecei no punk/hardcore. eu já não usava nenhum tipo de droga, nunca bebi, e conheci logo de cara esse pessoal bem ativo na cena, com bandas, ideias políticas, me identifiquei na hora, foi algo natural que me fez encontrar um caminho que eu já tinha tomado.

O veganismo veio um pouco depois, precisei ler um pouco, estudar o que era, pois na época comia carne, então sabendo de toda a real sobre exploração animal e suas consequencias não teve jeito, me tornei vegano e mantenho essa postura política até hoje.

Ceará & Rock: Além da parte musical, sua entrada na banda tem sido um forte apoio para algumas mudanças do grupo, como hábitos alimentares. Poderia nos falar um pouco sobre isso?

Juninho: Quando entrei no Ratos, o Boka já era vegetariano, foi só o Gordo que se tornou há uns anos atrás, então temos 3 vegetarianos na banda. Acho que acaba mudando nas escolhas da hora de irmos comer, pois o Jão come carne, mas curte um rango vegano, então optamos por restaurantes onde a maioria vai ter o que comer a vontade.

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Ceará & Rock: Quais os projetos do Ratos de Porão para 2015? E os seus?

Juninho: Para 2015, iremos fazer uma tour no verão europeu, já estamos confirmados no “Brutal Assault”, na República Tcheca, e imagino que até o próximo mês a tour já esteja toda montada.

Na América do Sul também temos algumas propostas de shows, Chile, Paraguai e aqui no Brasil, como sempre, rodar o ano todo, Norte, Nordeste, Sul, Centro-Oeste, como sempre sem parar!

Fora toda essa responsa com o Ratos irei fazer uma tour nos usa com o Inimigo, gravaremos por aqui antes da tour e também gravaremos lá no estúdio Inner Ear.

Ceará & Rock: E as expectativas para mais um grande show em Fortaleza? O que esperam dessa apresentação e o que os fãs podem esperar da banda?

Juninho: Nordeste é sempre brutal para nós, os shows vão surpreendendo cada vez mais e Fortaleza está nessa lista! Iremos tocar algumas músicas do disco novo e o restante do set será aquela mistura dos discos antigos, algumas músicas que desenterramos; vai ser muito barulho!

Ceará & Rock: Pra finalizar, gostaria de agradecer mais uma vez pela entrevista e pedir para que deixasse um recado para nosso leitores e fãs do Ratos de Porão.

Juninho: Eu que agradeço pelo espaço! Aguardo pela presença de todos fãs de punk, hardcore e metal; será uma noite muito especial para todos nós, e que isso nunca morra, precisamos manter a cena forte! abraço!

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Serviço – Ratos de Porão
Local: Beach Club (Rua dos Tabajaras, 386 – Praia de Iracema)
Data: Sábado, 7 de fevereiro
Horário: A partir das 21h
Ingressos: R$ 40 (disponíveis na loja Planet CDs ou no site Ticket Brasil), R$ 50 na hora do show
Produção: Underground Produções

Para esquentar, confira a íntegra do show que a banda fez no Circo Voador:

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=iSxWbDXWV-A[/youtube]

One thought on “Juninho, baixista do Ratos de Porão, fala da expectativa por show em Fortaleza

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