Blog do Fábio Campos

04.03.11 10:27

Na Coluna Política de hoje, réu na Suprema Corte vai presidir Comissão que analisa constitucionalidade das leis. Sinal dos tempos.

Por: Fábio Campos | Comentários: 7 Comentários

 RÉU NA SUPREMA CÔRTE, MAS…

 João Paulo Cunha (PT-SP) agora preside a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados. Definitivamente, o decoro e o bom senso não são qualidades suficientemente presentes em nossa política. É um acinte. Uma ofensa. Cunha é réu no Supremo Tribunal Federal (STF). Até que seja julgado, deveria se abster de ocupar uma função de referência como é o caso. O gigante está respondendo à acusação por ser membro da quadrilha do mensalão. Na peça oferecida pelo Ministério Público e acatada pelo Supremo, Cunha foi acusado de formar fila numa “sofisticada organização criminosa” que se especializou em “desviar dinheiro público e comprar apoio político”. Apesar da lei “ficha limpa”, Cunha ganhou o direito de se candidatar a deputado federal. Foi eleito. Exercendo o mandato, o petista conseguiu articular sua candidatura a presidente da mais importante Comissão permanente da Câmara dos Deputados. Agora, temos um deputado que responde processo no Supremo à frente da Comissão que analisa a constitucionalidade dos projetos que tramitam no Parlamento. Que beleza.

A CARA DE PAU EM VEZ DO NOVO

O petismo chegou ao poder nas eleições de 2002 defendendo com ardor uma nova cultura política. Proferia com ênfase o discurso da ética e dos bons costumes. No poder, a conversa foi outra. O projeto de poder se sobrepôs e velhas práticas se arraigaram. O presidente da República em pessoa fez o discurso da banalização de certos crimes. “Todo mundo faz caixa dois”, disse Lula em sua famosa e histórica entrevista em um jardim de Paris. O crime nem era de “caixa dois”. Atentem que a acusação do Ministério Público acatada pelo STF fala em “compra de apoio político”. A consequência da banalização é a chegada de um réu da Suprema Corte na presidência da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. É um abuso. Em vez de uma nova cultura política, deu-se a cara de pau. Direito de se eleger presidente da Comissão ele tinha, claro. Cunha é um deputado com todas as prerrogativas. O problema é o descaramento. A falta de vergonha e a crença de que sua origem política permite tal atitude.

MAIS UMA LEI QUE NÃO PEGA

A imprensa divulga que a ministra Miriam Belchior (Planejamento) orientou seus colegas de Esplanada a selecionar despesas contratadas pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva e que não serão honradas pela sucessora Dilma Rousseff. Levantamento do Estado indica que o cancelamento de contratos pode alcançar R$ 33,9 bilhões, valor equivalente ao custo estimado do polêmico trem-bala entre São Paulo e Rio de Janeiro. No primeiro dia de março, depois de quitar R$ 28 bilhões de contas pendentes deixadas por Lula no ano eleitoral, o governo ainda acumulava mais de R$ 98 bilhões de despesas a quitar, informa levantamento feito pela ONG Contas Abertas (O Estado de S.Paulo). Ora, sendo assim, o Governo anterior burlou a Lei de Responsabilidade Fiscal. A LRF veda ao gestor público contrair obrigação de despesa que não possa ser cumprida integralmente dentro de seu mandato, “ou que tenha parcelas a serem pagas no exercício seguinte sem que haja suficiente disponibilidade de caixa para este efeito”. Será outra lei do tipo que não pega? Lamentável.

ABAIXO O MELA-MELA

A boa notícia da semana veio de Quixadá: “O som dos ‘paredões’ deve ficar longe de Quixadá no Carnaval. Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) proposto pela Defensoria Pública no município prevê que a Prefeitura fiscalize a presença desses equipamentos durante os quatro dias de folia. Na área próxima ao Centro também está proibido o ‘mela-mela’. O diligente defensor público chama-se Júlio César Lobo, que atendeu às reclamações da população residente em área próxima à praça onde ocorre a festa. O tal do ‘mela-mela’ deveria ser barrado em todos os municípios. Além de agressivo e gerador de um clima de violência, a farra usa alimentos como ovos e farinhas de trigo e milho. Um escárnio. Não é nada agradável aos olhos e não representa nenhuma tradição cultural reconhecida.

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Luiz de França 05.03.11 | 07:29

É a raposa tomando conta do galinheiro. Literalmente.

antonio 11.03.11 | 22:02

Gostaria de entender porque os jornalistas têm tanto medo de enfrentar as patrulhas que existem por aí, sendo as mais fortes as patrulhas da esquerda. Grande exemplo é a mistificação que fazem na questão das armas no Brasil que esconde a finalidade espúria de detonar as indústrias nacionais de armas. Chamam os deputados/senadores que ousam defender essas indústrias de bancada da bala e se lixam ao direito do cidadão de se defender. Por que a imprensa não batiza a turma de deputados que conspira contra o país de “bancada do contrabando”, vez que, em se adotando suas sugestões, só entrariam aqui armas estrangeiras ???? Até as pedras do porto do Mucuripe sabem como é o contrabando, menos esses inocentes deputados do PT e afilhados.

ALAERCIO FLOR 14.03.11 | 10:47

Menino,o PT perdeu a noção de justiça e ser ridiculo agora…

Jose Bentes 20.03.11 | 00:57

Por falar em mensalão aonde anda o Eduardo Azeredo (PSDB) o verdadeiro, o original pai do mensalão?
Quando vão desenterrar o processo contra ele no Supremo?

Marcus Abreu 26.03.11 | 19:37

Antonio: quem paga o jornalista são as empresas que têm na propaganda e na publicação dos balanços das empresas do governo, e do próprio governo, tipo a mentirosa Meu casebre, meu sufoco, sua principal fonte de receita. Portanto, são poucos os jornalistas que assumem uma posição realmente de expressarem a verdade dos fatos. Porque caso contrário, perdem o emprego. Ou voce acredita que a mídia vai perder seu faturamento?

Alves 06.04.11 | 11:25

Não vejo nada de anormal, nada de extraordinário que me cause perplexidade quando se trata do PT. É a famossa história, esqueça tudo o que eu disse e o que escrevie. Ideologia nada tem que haver com competência e com a gerencia da coisa pública.São na sua maioria oportunistas e incopetentes. Poderemos acrescentar ainda uma boa dosagem de truculencia que faz lembrar um pouco os ditadores do extinto bloco comunista. Acorda Brasil,!!!!!!

F 07.04.11 | 10:11

O problema dos políticos, é que, enquanto são oposição se portam como paladinos do direito e da ética. Quando chegam ao poder, esquecem o discurso e as bandeiras de campanha, e abraçam o “vale-tudo” para se tornarem auferidores definitivos das benesses do poder, não se importando se para isso tenham que se enlamear em acordos espúrios e relações promiscuas, elegendo como máxima de vida: ” os fins justificam os meios”.

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