Blog do Fábio Campos

22.02.11 16:23

Na Coluna Política de hoje, o Senado em 2014, a virgindade perdida e a bolsa-crime

Por: Fábio Campos | Comentários: Comente

CIRO PARA A VAGA DE INÁCIO?

Cid Gomes (PSB) anunciou desejo de apoiar o nome de Ciro Gomes para disputar a única vaga de senador disponível em 2014. O governador não costuma formular balões de ensaio. Pela sua trajetória, escreva-se o que ele afirma. A intenção costuma virar gesto. Então, os navegantes estão avisados. É fato que ainda é muito cedo. Mal Cid Gomes iniciou seu segundo mandato e já coloca no mercado político uma pauta que se relaciona diretamente com sua sucessão. Para muitos, um lançamento precipitado. Problema: a vaga em questão é hoje ocupada por Inácio Arruda, do PCdoB, partido da base aliada, apoiador de primeira hora da candidatura de Cid ao Governo. Então, de cara, há um obstáculo político a se resolver. A leitura conservadora indicava que o próprio Cid tenderia a ser candidato ao Senado. Evidentemente que isso facilitaria a costura. Sendo Ciro o postulante, as condições políticas são diferentes.

O FASTIO COM O PARLAMENTO

Ao colocar o nome de Ciro para o Senado quando ainda faltam mais de três anos para a campanha, o governador chama a atenção da política e do distinto público para um fato que não é favorável ao irmão. O Senado é a casa irmã siamesa da Câmara dos Deputados. Ciro acaba de terminar seu mandato de deputado federal. Um mandato que não o credenciou para disputar uma nova vaga de parlamentar. Pelo contrário. Do ponto de vista físico, político e intelectual, Ciro foi um deputado ausente. Em quatro anos, o ex-ministro se mostrou enfastiado com o cotidiano do parlamento. Pouco discursou. Pouco apresentou. O problema é que esse cotidiano é similar ao do Senado. Se Ciro não teve disposição para ser o deputado federal que todos nós cearenses esperávamos (principalmente os seus mais de 600 mil eleitores), o que sugere que será diferente com o broche do Senado na lapela? 

UM VELHO PARTIDO NA BERLINDA

Por falar em PCdoB, o partido está passando pela sua mais grave contestação em sua longa existência (é o mais antigo partido do País em funcionamento). Uma série de reportagens publicadas pelo jornal O Estado de S.Paulo, mostra que o programa Segundo Tempo, do Ministério do Esporte, controlado pela sigla desde 2003, gera questionáveis dividendos eleitorais e financeiros ao PC do B. Em vários estados, a reportagem flagrou “entidades de fachada recebendo recursos do projeto, núcleos esportivos fantasmas, outros abandonados ou em condições precárias com crianças expostas ao mato alto e todo tipo de detritos. Em algumas unidades faltam uniforme e calçados para as crianças, os salários de funcionários estão atrasados e a merenda, vencida”. No grande escândalo (mensalão) que afetou a esquerda brasileira (principalmente o PT), o PCdoB conseguiu sair praticamente sem arranhões. Agora, o partido se vê diante de um questionamento ético e moral sem precedentes.

A BOLSA-CRIME

O Brasil continua abrigando esqueletos no armário. Há 50 anos, o País criou um absurdo chamado “auxílio-reclusão”. Trata-se de um benefício pago aos presos pobres. Talvez a realidade de então justificasse o mecanismo em que o contribuinte financie uma bolsa financeira concedida aos familiares de assassinos e estupradores que, antes da condenação contribuíam com a Previdência. Se o criminoso for da zona rural, nem previdência precisa ter pago. A prebenda sobreviveu incólume até hoje e 30 mil pessoas se beneficiam da bolsa-crime. Trocando em miúdos, o sujeito que mata um cidadão vai ser condenado, mas garante o sustento da esposa com uma bolsa mensal de R$ 594,00. Mais que o mínimo. A vítima e seus familiares que se lixem. Não recebem um centavo. É escandaloso.

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