25.01.11 13:21
O atual período de chuvas de Fortaleza foi anunciado numa madrugada de dezembro passado com relâmpagos e trovões. Foi como um aviso do que viria. O mês de janeiro deixou os turistas frustrados e a cidade atormentada. Até aqui, a quantidade de águas de chuva é algumas vezes superior à média anual. Ontem, um dia estranho. Às 16 horas, os automóveis com faróis acesos. Um cinza meio sinistro marcou a paisagem da cidade. 19 pontos interditados por obras públicas compuseram com as chuvas um quadro de trânsito bastante complicado. A última vez que se viu tamanha quantidade de chuvas foi no início da primeira década do novo século. Salvo engano, cinco mortos. Moradores de áreas de risco. De lá para cá, a cidade enfim instalou uma Defesa Civil e aprimorou o atendimento às vítimas. Nas ruas, nota-se o asfalto se dissolvendo. As chuvas vão deixar crateras de herança. Não há normas que definam a qualidade do asfalto da cidade. A camada é fina e a qualidade não resiste às chuvas mais fortes. Em breve, o contribuinte pagará uma fortuna para tapar buracos. Remendos que serão destruídos pelas chuvas do ano que vem.
A BOA NOVIDADE NA NOSSA POLÍTICA
O futuro presidente da Assembleia Legislativa, Roberto Cláudio Rodrigues Bezerra (foto), reúne características pessoais que fazem de sua ascensão uma ótima novidade na política do Ceará. Jovem (apenas 35 anos), com formação acadêmica respeitável, filho e neto de educadores, médico-sanitarista (formado por nossa UFC, com mestrado e PhD em saúde pública pela Universidade do Arizona-EUA), boa fluência verbal e capacidade de articulação. Na linguagem da velha esquerda, Roberto Cláudio é o que seria denominado de um “quadro”, que vem a ser aquele militante de referência por reunir em si capacidade de liderança política e preparo técnico. Em 2007, na primeira conversa com a Coluna, ainda no primeiro ano de seu primeiro mandato, Roberto fez questão de mostrar zelo por sua trajetória pessoal. Com muito bom humor, disse o seguinte: “Sou careca, baixinho e gordinho. Seria muito ridículo se ainda fosse corrupto”. O fato é que o deputado pode (e certamente o fará) contribuir em muito com a nossa política, mas terá que lutar para superar um lamentável vício de origem na história que o levou a ser indicado para a presidência da Assembleia. Vejam a seguir.
O VÍCIO DE ORIGEM A SUPERAR
O deputado estadual Roberto Cláudio é um caso raro de parlamentar que chegará à presidência da Assembleia sem ter precisado articular sua candidatura. O deputado não precisou conversar com seus pares. Não reuniu forças. Não contabilizou apoio de bancadas. Não promoveu encontros. Não manteve conversas de pé de orelha. No momento mais decisivo, o deputado nem no Ceará estava. Alguém fez tudo por ele. Nada demais se seu articulador não fosse o governador em pessoa. Aproveitando-se de um impasse entre duas outras candidaturas que esperavam a bênção de Cid Gomes, o chefe do Poder Executivo escolheu quem será o chefe do Poder Legislativo. Na sequência, foi o Governo quem convocou a coletiva onde a decisão foi anunciada. O anúncio ocorreu numa sala do Poder Executivo e foi proferida pela boca do próprio governador. Como diria Lula, nunca antes na história desse Estado… O político e filósofo Charles-Louis de Secondat, ou simplesmente Charles de Montesquieu, senhor do castelo de La Brède, autor da clássica Teoria da Separação dos Poderes, uma das bases da moderna democracia, está se remexendo em seu túmulo de mais de 250 anos em algum cemitério de Paris.
Fábio Campos
fabiocampos@opovo.com.br
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Comentários | 12 Comentários
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Joao Arruda 25.01.11 | 20:23
Roberto Cláudio foi, sem dúvida, a grande revelação política da Assembleia no último quadriênnio. Político em ascensão e com bom trânsito entre os formadores de opinião do nosso estado, , Roberto Cláudio poderá ser o nome do PSB na sucessão municipal de 2012.
JOSE 27.01.11 | 09:15
ESSA FOI A ULTIMA VEZ QUE EU LI A SUA COLUNA. ENCHER A BOLA DE UM POLITICO COMPRADOR DE VOTOS E ONDE E QUE TA TODA ESSA INTELIGENCIA E CAPACIDADE DA QUAL VOSSA SENHORIA FALA? TRISTE! SERA QUE NÃO TEM UM MEMBRO SEQUER DA IMPRENSA QUE POSSA SER IMPARCIAL?
LUIZ DE FRANÇA 28.01.11 | 11:23
EDUCAÇÃO: FUGA DE CÉREBROS DO ESTADO PARA AS PREFEITURAS
A PREVISÃO SE CONCRETIZA
Prezado(a)s senhore(a)s:
A carta a seguir foi escrita no ano de 2009 e enviada aos principais jornais do Estado do Ceará:
CONCURSO PROFESSOR:
Apesar de esperarem ansiosos pela publicação do edital do concurso público do estado, os profissionais da educação demonstram insatisfação pelo conteúdo do edital preliminar. Acontece que o Concurso constará de quatro etapas, sendo três de caráter eliminatório e classificatório.
O questionamento dos colegas é que: enquanto alguns concursos públicos, mesmo de nível médio, não exigem tanto dos candidatos e a remuneração chega a R$ 3.000,00(três mil reais), no sistema educacional, * além de tratar os professores com certa indiferença, o salário base é de R$ 950,00(novecentos e cinqüenta reais), além da estafante carga de trabalho e o excesso de exigências burocráticas no cotidiano. Fiz uma pesquisa, em conversas com alguns colegas e constatei que cerca de 65% (sessenta e cinco por cento) dos professores, mesmo alguns já efetivos, estão à espera dos concursos das prefeituras, que remuneram relativamente melhor, além da carga de trabalho ser menor. Anotem: Daqui a dois anos ou mais o Estado do Ceará sofrerá uma das maiores crises educacionais já vistas, devido à migração de profissionais para a rede municipal . É esperar pra ver.!!!
* Atualmente (janeiro de 2011), parte dos profissionais da educação JÁ ESTÃO MIGRANDO para as escolas municipais.
José Ribeiro 05.02.11 | 08:44
É lamentável que a política do Ceará esteja fugindo de suas tradições históricas. A velha e antiga Aldeota, com suas ruas, seus canteiros de flores. As antigas mangueiras, os péis de cajueiros, enfim, a avenida Santos Dumont. O antigo colégio São João. Belos tempos, antigos viveres, antigos saberes. As ruas, as caminhadas, os passeios em frente a residência do governador Nogueira Acioli, a pequena conversa com café quente com o Senador Juvenal de Carvalho. É Fortaleza não se permite continuar a sua história. Cadê o Castelo do meu amigo Plácido? Parece que sumiu. Hoje passando no meu automóvel ali em frente, meus olhos ficam perplexos, com tanta coisa tola. Tanta suntuosidade, tanta euforia pelo nada nada. Que horror. Fortaleza precisa voltar aos seus velhos tempos. Tchaw.
José Ribeiro 05.02.11 | 09:01
É lamentável que a política do Ceará esteja fugindo de suas tradições históricas. A velha e antiga Aldeota, com suas ruas, seus canteiros de flores. As antigas mangueiras, os pés de cajueiros, enfim, a avenida Santos Dumont. O antigo colégio São João. Belos tempos, antigos viveres, antigos saberes. As ruas, as caminhadas, os passeios em frente à residência do governador Nogueira Acioli, a pequena conversa com café quente com o Senador Juvenal de Carvalho. É Fortaleza não se permite continuar a sua história. Cadê o Castelo do meu amigo Plácido? Parece que sumiu. Hoje passando no meu automóvel ali em frente, meus olhos ficam perplexos, com tanta coisa tola. Tanta suntuosidade, tanta euforia pelo nada nada. Que horror. Fortaleza precisa voltar aos seus velhos tempos. Não se vê mais o bem estar, a sombra, o sol, as caminhadas pelas ruas da Aldeota, embora se foi o som dos pássaros, os córregos, os riachos, as plantas, as rasteiras, o coaxar dos pássaros. No alto, cadê a copa de árvores? Desapareceu tudo, em seu lugar deu espaço para o concreto armado, a estrutura física, infiel à mãe natureza. Belo papelão dos políticos que permitiram tudo isso. Envenenaram o meio ambiente. Degradaram tudo. Mais uma vez o Brasil abre espaço para o atraso, eterno final de fila em busca de um falso progresso. País da imitação. Brasil, tu que é tão grande, ainda tens a melhor natureza do mundo, procura ser tu mesmo, País de imitadores, de bajuladores do capital estrangeiro. Brasil, Fortaleza, acordem, deixem de serem tolos. Caso a Europa, nos tempos de hoje, tivessem uma natureza exemplar desta, eles, certamente, que seriam imitados. Gente, o progresso está aqui mesmo, tudo o mais é tolice. Vamos fazer a nossa própria filosofia, a nossa própria ciência. Contentemo-nos com o que temos. Só isso. A felicidade não tem lugar, está dentro de nós. Gente, acordemos para a realidade. Chega de trazer estrangeiro para aqui. Deixem que eles venham por si mesmo, não vamos achar que eles são melhores do que nós não. Gente, acordem, acordemos, antes que seja cedo. É porque o tarde já se foi.
Prof. Roberto Ribeiro 06.02.11 | 01:35
Desejo fazer um séria reflexão sobre a Cidade de Fortaleza.
Antigamente nós tínhamos a civilização a nossos pés. Lembro que quando ia ao bairro de Aldeota, havia o ônibus Aldeota. Ali, parado, andando pela av. Santos Dumont. Já começou o erro, avenida São Dumont. Por que não Seu Manuel, vendedor de cereais ali da rua do centro da cidade? Não, Santos Dumont. A velha mania de complexo de canelau como diria Nelson Rodrigues. Somos canelau, valorizamos apenas o que vem de fora, o do estrangeiro. Quando eles chegam aqui, oferecemos a melhor cadeira, o melhor prato, a melhor comida. Foi sempre assim. E eles, não se dão nem ao trabalho de aprenderem a nossa língua. No entanto, mesmo estando em casa, ficamos encabulados quando não sabemos falar a língua deles. Conheço um inglês, ligado a minha família que temos contato há uns trinta anos, e ele mal diz a palavra problema. Alías, diz “Problem”. Só isso, com apenas este simples vocabulário, eles dominam todo o nosso podo. Na avenida beira mar, os dizeres: “Trate bem o turista”. Quando vamos na casa deles, não podemos entrar, expulsam-nos. Constroem muros, barricadas, correm em nosso encalço. Chamam-nos de clandestinos, imigrantes., renegados. Uma amiga minha que mora em Londres há uns trinta anos, disse que conversava sempre com uma inglesa quando ia buscar as filhas na escola. A mulher se dizia muito sua amiga. Um dia, a mulher perguntou-lhe: “Qual é o seu país?”. E ela respondeu: “Brasil”. E a criatura tomou um grande susto, olhou para ela firmemente e disse: “O quê! Latina americana? Eu pensei que você fosse francesa”. A mulher saiu dali, olhou para ela com grande preconceito, e nunca mais falou com ela. Bem, não sei pode até ser que tenha muita gente que seja bem recebida lá no exterior. Os grandes empresários que vendem os nossos produtos por um preço insignificante, os grandes políticos que venderam nossas estatais por um preço de banana. Acredito que estes sejam bem recebidos, pelo menos enquanto tiver estatal para vender. Por conta disso, a cidade vai sendo destruída, tudo com a finalidade de atender bem ao exterior. Expulsam o morador, discriminam-lhe. Tratam-no muito mal. Querem limpar a cor das pessoas. Quando chegou em um supermercado aqui de Fortaleza, e vejo aquele pessoal almofadinha, cara de turista, mas que já reside aqui há um bom tempo, lembro da frase de Dom Aluísio que dizia: “Estão expulsando o nordestino de seus locais, de suas moradas, de suas casas, do jeito que os portugueses fizeram com os índios depois do descobrimento do Brasil”. E é a verdade, o cardeal estava certo. Pouco a pouco o povo vai desaparecendo, vai sumindo, vai sendo mutilado, aglutinado em guetos. Povo perdido, gente de gado, como diria o Zé Ramalho. Enquanto isso, a política vai muito bem. A cidade vai muito bem para os lados da Beira Mar, para o lado do sol. Dentro da cidade, perto do sertão, sem esgoto, sem água, sem segurança e sem saneamento básico. Saúde e educação só para enganar ao próximo.
Marcio Fernandes de Souza 07.02.11 | 08:34
Zé Heitor
O município de Mulungu, distante 120 km da Capital do Ceará, perdeu na manhã do último sábado, vítima de problemas cardíacos, um dos maiores ícones de sua história e cultura, o senhor José Heitor Leitão Arruda, Zé Heitor, como era conhecido, o primeiro vice-prefeito da cidade e maestro criador da banda de música São Sebastião, uma das mais antigas do Ceará. O homem bondoso e genial artista deixa vários filhos, netos e bisnetos. O maestro, que estava com 83 anos, foi um verdadeiro exemplo de vida no município, possuidor de uma auto estima contagiante, foi e é querido por todos por ser um amante das artes musicais e acima de tudo por sua característica majestosa de amar ao próximo. A imagem de um homem caridoso e de um artista excepcional estará sempre marcada na história e no coração de Mulungu e de seu povo.
Márcio Fernandes de Souza
Mulungu-CE
tadeu uchoa 08.02.11 | 18:33
ACABOU O NAMORO DOS DEFENSORES PÚBLICOS DO CEARÁ COM O GOVERNO CID GOMES. INSATISFEITOS COM OS BAIXOS SALÁRIOS E A EVASÃO DE COLEGAS PARA OUTRAS CARREIRAS. A PALAVRA DE ORDEM ENTRES OS DEFENSORES É GREVE!!!!!!!!!!!!!!!!
jorge raim 18.02.11 | 06:39
Menos, Campos, menos campos. Como pode ser uma boa novidade na política um camarada que não tem nenhuma vinculação ideológica? Menos de 40 anos de idade e nem 10 de vida pública e já no terceiro partido? Além disso, aceitar ser ungido presidente do Legislativo para baixar a cabeça pra tudo que vier do Executivo não é coisa de político sério (veja o que aconteceu no requerimento sobre mais esta viagem do governador ao exterior- aliás, todo ano tem uma marmota dessas!), ou pelo menos não deveria ser…menos campos, Campos!
Antonio Araujo 19.02.11 | 16:45
Meu caro Fabio Campos: Há muitos anos leio sua Coluna. Gosto muito e, em geral, concordo com tudo que você escreve. Não tenho dúvidas em afirmar que você é do nível do Josias, do Noblat, do Alon, do Ancelmo, da Lo Prete, da Dora, do Fernando Rdrigues… e quando você envelhecer um pouco mais, certamente, chegará ao nível do Jânio de Freitas, do Clovis Rossi e, quiçá, até do Roberto Pompeu de Toledo. Mas Fábio, aqui prá nós: o seu Blog é absolutamente inútil. Como seu fiel leitor, sugiro que você dê mais atenção a ele ou, se não tiver tempo, destrua-o. Será uma destruição criativa. AME-O OU DEIXE-O, pra usar a frase da era garrasta. Abraço, Araújo.
PLUTARCO 21.02.11 | 06:14
SENHOR FABIO CAMPOS. ESCLAREÇA O POR QUE DA RETIRADA DA JUNTA MILITAR DO GINASIO PAULO SARASATE,ONDE ALI OS JOVENS DE DEZOITO ANOS ,PROCURAM ESTE LOCAL PARA O EXERCICIO DA CIDADANIA,CUJO LOCAL ACOLHE ESTES JOVENS OS BAIRROS DA COMUNDADE VERDES MARES,TITÃNZINHO,DENDÊ,ALDEOTA E BAIRROS VIZINHOS,UMA SILICITAÇÃO ANTIGA E DE REPENTE RESOLVEM MUDAR PARA UM LOCAL IGNORADO.POR QUE,É UMA DECISÃO POLITICA DA PREFEITURA??? POR FAVOR NOS ESCLAREÇAOBRIGADO PLUTARCO.
Rômulo Cunha 23.02.11 | 07:36
Poderes independentes? de que e de quem? me engana que eu gosto!!!