Os espertos defensores, não dos esportes, mas das grandes empreiteiras, querem faturar muita grana. Começam a excitar a galera. Dizem que devemos concordar porque será para o nosso progresso. Mas, nosso de quem, cara pálida? Será que um estado extremamente pobre (o PIB per capita do cearense é o 5º pior do País), com índices de miséria que insultam os mais sensíveis, pode bancar uma festa desse tipo?
Tive a oportunidade, quando do fim da recente Copa, de comentar os estragos causados pelo evento na África do Sul. Nada, absolutamente nada, modificou-se na vida do povo daquele país. Ao contrário, ficaram imensas dívidas que serão pagas por todos. Esse assunto voltou à minha goela – de raiva! – quando li, essa semana, no portal do Governo do Estado que: “O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social garantiu para este mês a assinatura do financiamento de R$ 351,5 milhões para as obras de reforma do Estádio Castelão. (…) O Governo do Ceará garantirá mais R$ 117,1 milhões para as obras. (…) No caso do Estádio Castelão, o custo total avaliado é de R$ 468,7 milhões”.
Sinceramente, você cearense que sabe ler, que pensa, que ama essa terra, concorda que esse investimento seja uma prioridade? Será que somos suficientemente ricos para bancar uma diversão que dura menos de um mês? Será que a saúde, a educação, a segurança não constituem vexames em nossa terra? E o Interior, região ainda mais pobre, o que vai ganhar com isso? Será preciso um circo tão caro para enganar o povo?
Antonio Mourão Cavalcante - Médico, antropólogo e professor universitário

Caro Professor Antonio – êstes não são dias de bom senso! Qualquer raciocínio que observe a falta de recursos dirigidos para o bem estar da população, é considerado um acinte à lógica dos políticos. TODOS OS POLÍTICOS. Apenas, alguns são piores do que outros! Nossas vidas têm sido pautadas por períodos de quatro anos, de esperanças e decepções, de soluções que nunca chegam, de mentiras e falcatruas. Definitivamente, não são dias de bom senso.
E de decência!
VOCÊ ESTÁ COBERTO DE RAZÃO, MOURÃO.FORTALEZA NÃO TEM A MENOR CONDIÇÃO DE SEDIAR ESSA COPA.
Concordo totalmente Dr. Mourão, parabéns!
O caro professor Mourão é um daqueles intelectualóides que não percebe o sentimento popular para realização de uma copa do mundo. A infra-estrutura ficará, sim. Os estádios de futebol são verdadeiros templos para o povo brasileiro, gostem ou não. É o sentimento popular. Espero que os preparativos para a festa futebolística façam o trânsito da cidade melhorar, que as obras gerem emprego pro nosso povo etc. Tem gente que parece que viver amargurado da vida e é contra tudo e contra todos. Tem sempre a proposta correta pra tudo. Se colocarmos a administração de nosso Estado ou de Nossa prefeitura nas mãos desta gente, tudo fica caótico, nos moldes da fortaleza bela. São verdadeiros intelectualóides que querem levar os outros no Gogó. Estou cansado dessa gente! Tem uma turma “de esquerda” que parece que vive no “país das maravilhas”. Acorda, professor Mourão. O povo quer a copa e que venha a Copa.
O importante da crítica é ser feita, de forma correta. Ao afirmar no início do texto que haverá apenas três jogos na capital cearense, o professor mostra um desconhecimento do que a FIFA já implementou em casos semelhantes e na discussão que já houve sobre a setorização da Copa no Brasil.
Os investimentos a serem feitos na capital alencarina são, em quase sua totalidade, de investimentos em infraestrutura: alargamento de vias, investimento no aeroporto, metrô, VLT… enfim, investimentos que melhorarão a vida do fortalezense.
Com exceção do Castelão, que é uma obra exclusiva pra Copa, não enxergar as melhorias para a cidade de Fortaleza é miopia. Ou má vontade.
Faço de suas palavras, as minhas, meu caro Dr. Mourão!
Bastaria, para mim, ilustrar e reforçar a sua idéia e colocações, com o caos em que se transformou essa cidade, quando primeiro jogo realizado pelo malfadado selecioando nacional, – na Africa do Sul -, portanto, a centenas e centenas de quilometros daqui!
Convidado que fui, para assistí-lo, no bairro da Serrinha, e que, saíndo do Lago Jacareí, onde resido, quase não conseguimos chegar por lá, a tempo de ver a abertura do certame, devido aos buracos e aos engarrafamentos, além, do velho “jeitinho brasileiro”, de levar vantagem em tudo etc.!
E, olhe que sou um homem dado ao planejamento de minhas atividades e, mais, – muito mais -, não gosto de chegar atrasado ao eventos de que participo!
Fico feliz em ver o Prof. Mourão sorridente, feliz e corado na foto acima (estimo que seja atual). Digo isso porque o eminente comentarista vinha ultimamente assumido o gosto de criticar por criticar. “Nada presta. Tudo são trevas. Todos os homens são corruptos”. Felizmente, a maioria compreende que a vida, apesar dos fatos negativos e dos desmandos de alguns governantes, NÃO É TÃO RUIM!
Existem coisas boas, que nos fazem esquecer as tristezas. E o futebol é uma delas. Vale a pena se alienar um pouquinho e se deleitar com partidas bem jogadas e até com as resenhas sadias que envolvem cada jogo. E a Copa multiplica essas possibilidades. Pensemos grande. Chega de azedume!
Caro Lucas, o Prof. dr. Mourão nunca está satisfeito com nada. Nunca o vejo com opiniões que relatem otimismo, alegria e contentamento com algo que parta de qualquer ação governamental. Sempre tem algo para bater. Mas os intelectuais e sociólogos, em sua grande maioria, são dessa forma. Adoram viagens (Europa, América do Norte, Ásia etc), gostam de casas de campo ou de praia, mas sempre pintam com “extrema preocupação” com o coletivo, ou porquê não dizer com a população mais desassistida. Nunca os vejo aceitando pelo menos uma proposta de gestores públicos, pois sempre são contra antes mesmo das coisas acontecerem. Olha, qualquer cidadão (pobre, classe média e os mais abastados) foram e são desejosos de um evento como esse, em nossa capital, por mais contrastes sociais que existam. Agora, eles podem viajar, assistir a copa em qualquer lugar que queiram, mas quando se trata de apoiar um evento desse porte aqui, eles pura e simplesmente detonam como vorazes “defensores das minorias”. Calma companheiros, pois não tem mais volta, e ao invés de criticarem por criticar, apoem o evento, e torçam pelo seu êxito.
Eliomar,
O texto precisa ser lido com cuidado. Em nenhum momento eu falei que era contra futebol. Não entendo é por que investir mais de 460 milhões de reais na reforma de um estádio de futebol, se ele já está praticamente construído e pronto. Vejamos exemplos:
- O Estádio do Morumbi, em São Paulo, para ser reformado, sendo bem mais antigo que o Castelão, “essa reforma fica em torno de 150 milhões de reais.”
http://tricolorfutebolarte.blogspot.com/2008/12/reforma-domorumbi-ter-trmino-em-2013.html
- O Estádio da Fonte Nova (Bahia) foi quase totalmente implodido. Em seu lugar será erguida outra praça de esportes. Custo? “A proposta para a Fonte Nova está orçada em R$ 231 milhões (…) A capacidade será de até 60 mil torcedores, segundo o secretário.”
(http://www.estadao.com.br/noticias/esportes,,251003,0.htm)
- O estádio a ser construído pelo Coríntians (Fielzão), anunciado recentemente: “Será assinado hoje um pré-contrato com a Organização Odebrecht para a construção de nosso estádio, em Itaquera, com um valor de referência de R$ 335 milhões, com a capacidade para receber 48 mil pessoas. A adequação desse estádio, para o recente anúncio de que o mesmo servirá para os jogos da Copa de 2014 e para sua abertura, será objeto de novas avaliações entre o Corinthians e a Odebrecht, sempre visando chegar ao melhor resultado” http://www.espbr.com/noticias/corinthians-divulga-nota-oficial-fielzao
No caso do Estádio Castelão, o custo total da reforma é avaliado de R$ 468,7 milhões. (Blog do Governo) Insisto em dizer: ESSE TOTAL SERÁ APENAS PARA A REFORMA DO ESTÁDIO. Obras de infra-estrutura, acesso, etc., aí será outra conversa Mais empréstimos e mais grana…
A título de ilustração – Essa soma daria para, aproximadamente:
- Construir mais de 30.000 (trinta mil) casas populares;
- Construir mais de 10.000 (dez mil) escolas públicas;
- Construir mais de 10.000 (dez mil) postos de saúde;
- Bibliotecas, faculdades, liceus de ofício…. e até,
- Comprar mais de 3000 (três) mil Hilux, zero….
Não ando triste ou revoltado à toa. Lastimo sim, que o povo esteja sendo enganado e que os governantes não saibam escolher as verdadeiras prioridades da sociedade. Tudo passa em surdina e sem qualquer transparência… Revolto-me como cidadão. Agora, como ser humano, estou super feliz com a vida, com minha família e amigos…
Cordialmente, Mourão Cavalcante
só uma coisa, como o BNDES não doa dinheiro, o estado, por conseguinte nós, teremos que arcarcom a conta de uma licitação frequentemente contestada.
Finalmente uma voz lúcida e sensata se manifesta contra esta orgia com o dinheiro público. Parabéns Dr. Mourão.