Cid defende manutenção da aliança com PT e admite “mediadores” em caso de impasse

O governador Cid Gomes, que também preside o PSB do Estado, afirmou, nesta terça-feira, durante o programa “Debates do POVO”, da rádio O POVO/CBN, que quer a manutenção da aliança política que lhe deu o primeiro mandato e reeleição e que reelegeu a prefeita Luizianne Lins. “Eu me sinto responsável por zelar por essa aliança”, disse, sem apontar nomes para a sucessão da prefeita Luizianne Lins, que também preside o PT) estadual.

Para Cid, preferencialmente o PT deve ter o candidato em Fortaleza com respaldo da alança com o PSB, PCdoB, PMDB, PP e até o PDT. Mas ele deixou claro que o candidato não deve ser “um qualquer que agrada mais a elite desses partidos”. Cid andou demonstrando simpatias por seu secretário das Cidades, Camilo Santana, que é petista, enquanto Luizianne teria simpatias por seu secretário de articulação governamental, Waldemir Catanho. No PT, há ainda cotados como o deputado federal Artur Bruno e o presidente da Câmara Municipal, Acrísio Sena.

Sobre a lista de prefeituráveis do PT, Cid recomendou ser necessário examinar a repercussão que cotados devem ter diante dos partidos e que o escolhido tenha condições de inspirar a “confiança” da população.

Indagado sobre como definir o nome, Cid afirmou que isso pode ser feito por pesquisa qualitativa. Questionado sobre como fazer isso e quem faria, preferiu reiterar ser fundamental manter a aliança e que o quadro seja discutido por todos como “gente adulta e civilizada”. Pela primeira vez, admitiu que se houver dificuldade no processo, deve a aliança buscar “mediadores”. Ele citou Lula e a presidente Dilma como mediadores. Desde o ano passado que Cid e Luizianne, que chegaram a fazer reuniões de trabalho, nao se encontram nem para tratar de Copa 2014, já que Fortaleza é uma das subsedes do certame.

Cid evitou polemizar quando perguntado se um nome apontado por Luizianne poderia ser um tiro no pé, já que ela registra desgastes. Mesmo assim, reagiu: “Ningué é dono da verdade. Eu não sou dono da verdade, a Luizianne não é dona da verdade, o Eunício (senador e presidente estadual do PMDB) não é dono da verdade. Enfim, nenhuma liderança é dona da verdade. O que temos que ter é humildade para saber que eleição não se ganha de véspera e porque se reuniu o maior grupo de partidos. Fortaleza já deu lições históricas de que quem pensar assim está fadado a um redondo e certo grande erro”. Em 1985, a ex-petista Maria Luíza venceu Paes de Andrade, então do PMDB, líder absoluto das pesquisas.

Ele insistiu na tese de humildade, respeito à população e diálogo, além de se procurar mediação. “Às vezes, que está de fora vê com muito mais razão, com menos emoção, com muito menos passionalismo, com muito menos vaidade, enfim, arrogância.” Indagado se o processo em Fortaleza exigirá mediadores, rebateu: “Eu estou dizendo isso. O ideal é que a gente resolva aqui. Se chegar a algum momento de impasse, que é natural, a gente pode buscar mediações”. Cid ressaltou que se o processo ficar restrito a jogo de forças e vaidades pessoais, acabará se tendo o primeiro passo para o fracasso.

“A gente tem que abrir mão.Vale pra lá e vale pra mim, prali e pracolá. Todo mundo tem que abrir mão das vaidades, das arrogâncias e prepotências, etc, etc que são naturais da política”, insistiu, defendendo que a aliança encontre um nome com projeto, com compromisso para Fortaleza, vendo problemas e soluções e que tenha credibilidade. “Nós não somos aventureiros para vir na véspera de eleição, assumir conjunto de compromissos e não cumprir”, avisou.

CIRO

Cid Gomes foi perguntado sobre a postura do ex-deputado federal e ex-governador Ciro Gomes, seu irmão, que defende o PSB com candidato próprio e faz críticas à gestão da prefeita Luizianne Lins (PT). “O Ciro é para mim uma referência”, afirmou, observando que os dois dialogam e que, às vezes, aposição de um se sobrepõe a do outro.

Lembrou, no entanto, que ambos já discordaram no passado quando ele apoiou a reeleição de Luizainne e Ciro a candidatura de Patrícia Saboya (PDT)

Cid defende Sarney e quer Ciro presidente

O governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), defendeu nesta segunda-feira, 3, que seu irmão, o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE), seja candidato à Presidência da República e não ao governo do Estado de São Paulo, como tem sido defendido por setores do PT e pelo próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Acho temerário ir para a eleição com apenas um candidato da base do governo, sob risco de perder já no primeiro turno. Com apenas um candidato da base, o governador José Serra poderia ganhar no primeiro turno. A presença de Ciro pode assegurar um segundo turno, com a ministra Dilma Rousseff ou com ele, Ciro como segundo colocado”, afirmou o governador.

Cid Gomes destacou que a grande popularidade do presidente Lula não significa necessariamente transferência de votos para Dilma. “É nesse campo que o Ciro pode entrar”, afirmou.

Sarney

O governador também defendeu o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), alvo de uma série de denúncias de uso do poder político para beneficiar parentes e amigos, e acusou o partido de oposição PSDB de tentar derrubá-lo do poder.

“Estive com Sarney no máximo quatro vezes na vida, mas não entendo o que justifica fazê-lo passar por esse bombardeio. Ele é o mesmo de seis meses atrás quando foi eleito presidente do Senado. Considero o Senado um absurdo, um custo absurdo, mas é dele a culpa? Me preocupa muito o interesse golpista do PSDB, que quer a Presidência do Senado”, disse.

Cid Gomes também comentou a nota da Direção Nacional do PMDB que recomendou a saída dos dissidentes do partido. Dois dos principais críticos de Sarney são os senadores peemedebistas Jarbas Vasconcelos (PE) e Pedro Simon (RS).

“Acho que os partidos precisam ser fortalecidos no País. Se a cara que PMDB quer ter exclui do partido o senador Pedro Simon, o problema é do PMDB. Se o PMDB se dá ao luxo de querer botá-lo para fora, o partido está se apequenando”. Gomes esteve no Rio para participar do I Fórum Brasileiro de Zonas de Processamento de Exportações (ZPE).

 

(Agência Estado)