Associação dos Profissionais de Segurança manda nota sobre mudança na AESP

A Associação dos Profissionais de Segurança Pública do Estado do Ceará (Aprospec) mandou para o Blog, neste fim de tarde de terça-feira, nota em que aborda a mudança no comando da Academia Estadual de Segurança Pública, onde saiu um civil – o professor César Barreira, e assumiu o tenente-coronel Alencar. Confira: 

ACADEMIA ESTADUAL DE SEGURANÇA PÚBLICA , MEIA VOLTA, VOLVER!

Retrocesso. É assim definida a exoneração do Diretor Geral da Academia de Segurança pública do Estado do Ceará (AESP), Profº Cesar Barreira. O ideal de formação humana dos policiais agora está em cheque. Muita discussão tem sido feita em torno da desmilitarização das polícias ostensivas do Brasil. Em uma pesquisa feita pelo Ibope em outubro de 2011, 47% dos entrevistados foram favoráveis a uma unificação das forças estaduais ( acreditam numa melhor eficácia). Houve, agora no dia 3 de agosto, uma Audiência Pública exatamente sobre esse tema, onde a ideia de pôr um novo modelo de polícia ( unificada e desmilitarizada) foi sentido com uma maior intensidade, e mostrando a aceitação do público presente.

Não existe no mundo, nem em algum ponto da história da humanidade, algum tipo de treinamento militar humanizado.O militar não é treinado para atuar num confronto com criminosos. São treinados para abater o inimigo, usando táticas e estratégias próprias e bem definidas. A função das polícias locais é única e exclusivamente civil. O policial é treinado para proteger o cidadão, e até resguardar a vida do criminoso, se este não oferece risco à sua vida e a de outrem. É um guardião da vida.

A notícia de que um coronel assumirá a AESP causa medo de que a formação dos próximos policiais seja posta em risco. Quem não se lembra das imagens de policiais do Ronda do Quarteirão recebendo disparos de pistolas taser? Quantas e quantas denúncias de tortura e maus tratos em treinamentos militares não já assistimos nos meios de comunicação. É esse tipo de treinamento que joga para as ruas policiais já com problemas psicológicos, e que, doravante, poderão desequilibrarem-se e darem mau exemplo para a população.

Os policiais militares, por exemplo, do Ronda do Quarteirão, que tiveram um treinamento mais humanizado que os demais, tiveram que passar por vários choques entre a teoria e a prática. Pois, com pouco treinamento militar, tiveram a oportunidade de atuarem com maior proximidade com a população. No entanto, quando formados, começaram a ter contato direto com o militarismo, o que deforma a Doutrina Policial um pouco mais humana que tiveram. O desgaste fica patente. A revolta por não ser aquilo para que foram treinados se externa através de movimentos reivindicatórios sem precedentes na história da Polícia Militar do Ceará.

Há ainda o problema da formação dos policiais civis. Que tipo de relacionamento terá esses novos policiais civis com um diretor com mentalidade militar? será que querem incutir na mente dos alunos policiais civis a mesma mentalidade de sujeição militar diante dos delegados? É esse tipo de formação que o Governo quer, o de sim senhor e não senhor? Absurdo!

É necessário humanizar a formação policial, e para isso, deve-se dar-lhes um treinamento cada vez menos militar e de proximidade com a população, que quer esquecer que um dia houve ditadura militar, mas ainda convive com o último resquício dela, as polícias militares.

Só para fazer uma comparação entre os currículos do Profº Cesar Barreira com o Cel. Alencar, que assumiu a direção-geral da AESP, observe a titulação de cada um a seguir:

_ Profº. Cesar Barreira

Foi presidente da Sociedade Brasileira de Sociologia SBS, entre 2000-2002. Foi diretor da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa ANPOCS, entre 1986-1988. É pesquisador 1A do CNPq e líder do Grupo de Pesquisa em Poder e Violência do Diretório de Pesquisa do CNPq. É pesquisador/gestor do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Violência, Democracia e Segurança Cidadã, no CNPq. É membro do Conselho Editorial das seguintes revistas: Sociedade e Estado (UNB), Dilemas (UFRJ), Revista Brasileira de Segurança Pública (SENASP), Revista de Ciências Sociais (UFC), Cadernos do CRH (UFB), Sociologia (UFRGS), Políticas Públicas e Sociedade (UFM) e Política e Trabalho (UFPB). Orientou 34 dissertações de mestrado e 21 teses de doutorado. É membro do Conselho Deliberativo do CNPq.

_ Cel. Roosevelt Alencar

Bacharelado em Segurança Pública pela Academia de Polícia Militar General Edgard Facó; também é bacharel em Direito pela Universidade Federal do Ceará; Tem três especializações, sendo em Segurança Pública pela Academia de Polícia Militar General Edgard Facó; em Direito e Processo Eleitoral pela Universidade de Fortaleza e em Políticas Públicas pela Faculdade Metropolitana de Fortaleza; Coronel também é mestre em Avaliação em Políticas Públicas pela Universidade Federal do Ceará.Em cursos, Coronel Alencar tem formação pelo Alto Comissionado das Nações Unidas para Refugiados em Direitos Humanos e Direitos dos Refugiados; Prática de Licitações e Contratos Administrativos pela Fundação Escola Superior de Advocacia; Curso de Extensão Universitária em Direito e Processo Administrativo Disciplinas pela Faculdade Farias Brito e Curso de inglês instrumental aplicado à Segurança Internacional pela Ally Internacional.É orientador e avaliador de diversas Bancas de Trabalhos Técnico-Científicos no âmbito da Polícia Militar do Ceará (PMCE) e Corpo de Bombeiros Militar do Ceará (CBMCE); Ministrou aulas, em 2010, para os delegados de Polícia Civil do Ceará, alunos do curso de habilitação à delegados de Classe Especial, enfocando, principalmente, as implicações dos crimes ambientais no trabalho da Polícia Judiciária; É Professor de Direito Constitucional, Direito Ambiental, Direitos Humanos, Direito Administrativo, Direito Penal, Direito Processual Penal e Doutrina de Polícia Comunitária (pela Academia Estadual de Segurança Pública – AESP e CESPE/UNB) e professor de Doutrina de Polícia Comunitária do Curso de Formação Profissional para Inspetores da Polícia Civil do Ceará (pela Academia Estadual de Segurança Pública – AESP).

Comparando esses currículos vemos que bastam as 34 dissertações e 21 teses de doutorados que o Profº Cesar Barreira orientou para concluirmos que o Cel. Alencar como diretor da AESP será um ótimo comandante do Ronda.

A FORMAÇÃO DO PROFISSIONAL É O FUNDAMENTO PARA O SUCESSO DE QUALQUER INSTITUIÇÃO, SEJA PÚBLICA OU PRIVADA.

Eliomar de Lima

Sobre Eliomar de Lima

Jornalista, radialista, professor e escritor de histórias infantis, mas, acima de tudo, um viciado em informação, não dispensa cantarolar de vez em quando. Pra não dizer que fugimos do mundo da intelectualidade, temos Especialização em Gestão da Comunicação. Email:eliomarmar@uol.com.br / eliomardelima@gmail.com

6 comentários sobre “Associação dos Profissionais de Segurança manda nota sobre mudança na AESP

  1. Nobre Eliomar de Lima, sou seu fã e gostaria de agradecer seu empenho em manter-nos informados de forma imparcial, mandei hoje para vc um desabafo de um aluno da AESP, sobre o que realmente acontece lá e sua preocupação em militar ensinando civil, na verdade é uma tentativa de doutrinação de subserviência!

  2. Senhores,
    De acordo com o descrito no parágrafo segundo do artigo,supra citado, verbis: ” Não existe no mundo, nem em algum ponto da história da humanidade, algum tipo de treinamento militar humanizado”.
    Partindo desta premissa o bombeiro militar que é um servidor público militar estaria enquadrado nesta tese.
    Não podemos comparar currículos com vistas a atestar se o gestor tem habildade teórica e prática para exercer um cargo ou função.
    O professor Cesar Barreira é um especialista renomado o qual não precisamos comentar pois seu passado já atesta.
    Os cargos de confiança são demissíveis ad nutum.
    O Cel Alencar de acordo com o a acima descrito é Professor de Direito Constitucional, Direito Ambiental, Direitos Humanos, Direito Administrativo, Direito Penal, Direito Processual Penal e Doutrina de Polícia Comunitária.Assim, estuda, defende e aplica os direitos humanos nas Instituições de Ensino onde ministra suas aulas.
    Outrossim,o Cel Alencar realizou o Curso de Altos Estudos Estratégico em nível de Pós Graduação no Corpo de Bombeiros Militar do Ceará sendo um aluno de visão holística e de diálogo.
    Tem conhecimento teórico aliado a prática administrativa, operacional e educacional.
    Diante do exposto faz-se mister aguardar o desempenho do novo gestor para não sermos preconceituosos.

    Cel BM RR Duarte Frota
    Diretor de Tecnologia do Instituto Nacional dos Corpos de Bombeiros Militares do Brasil

  3. Fale isso para os Soldados do Ronda nobre amigo, só quem sabe o quanto ele é “humano” são eles e não os amigos de patente!

  4. Tenho especial admiração pelo Cel PM BB Duarte Frota, não apenas por sua trajetória profissional mas, e principalmente, por sua visão humanística no trato das questões que envolvem a pública administração. Justamente por isso, e por ser ele um profundo conhecedor da estrutura estadual da segurança pública, é que ponho a sua reflexão o seguinte: A Constituição cearense organizou a segurança pública sob a forma de um sistema integrado pelas polícias civil, militar e corpo de bombiros militar. Como a CF estabeleceu que o comando destas 3 instituições era subordinado diretamente ao governador do Estado, a lei estadual conferiu ao Secretário da SSPDS a coordenação do sistema. Para ocupar o relevante cargo, pela vez primeira, foi nomeado um militar. Como subsecretário da SSPDS um outro militar. Nos postos estratégicos da Pasta, mais militares e, agora, por fim, mais um militar para dirigir a Agência de Formação dos Profissionais da área (peritos, policiais civís, militares e bombeiros). Não cabe discutir a qualificação profissional dos nomeados senão questionar como fica a balança do sistema. Será que não seria mais adequado o recrutamento de profissionais das 3 corporações integrantes do sistema? No Pará, a academia única tem sua gestão partilhada (condomínio) com representantes das três instituições. Não se deve esquecer dos reflexos da prática adotada no Ceará junto aos escalões hierárquicos da có-irmã, PC, na partilha dopoder.

  5. Atualmente a AESP possui três cursos de formação, com futuros policiais civis, militares e peritos forenses. Os cursos agora fizeram um mês, fase de adaptações, reclamações dos corpos docente e discente. A pergunta que nao consta do artigo é: onde estava o nobre pesquisador durante este período inicial dos cursos de formação? No Ceará, ao que me consta, é que não estava.

    O comportamento militar mudou. O treino de taser alardeado na nota é prática nas polícias civis – sim, C-I-V-I-S de boa parte do mundo.
    Conheço uma pessoa que é aluna de um destes cursos de formação. Ela teve disciplinas com civis E militares e, em nenhum momento, foi-lhe repassada doutrina militar mas, tão e somente, o conteúdo da apostila.

  6. Cel BM RR Duarte Frota, eu o amiro bastante como pessoal e como profissioanl. Mas, o Sr, fala em TESE, na prática é muito diferente. Se nao fosse pelo militarismo,eu usaria o meu nome de guerra, mas, em quase 01 ano trabalhando sob o comando do Cel. Alencar, deu pra conhecer mais ou menos qm é a figura. Epode ter certeza que ele perdeu as aulas de direitos humanos. Pergunte aos policiais da PMTUR, eles conhecem muito bm, tanto ele como seu fieL escudeiro – Cap. Mavignier – HUMILHAÇÃO total.

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