
O vencedor das eleições presidenciais do Chile, o empresário direitista Sebastián Piñera, convocou os chilenos à unidade, em pronunciamento junto ao perdedor do pleito, o governista Eduardo Frei, neste domingo.
“Quero acolher e reviver o que foi a democracia dos acordos que vivemos e avaliamos juntos quando fomos senadores”, disse Piñera ao lembrar o período em que ambos estiveram juntos no Congresso, no início dos anos 90, após o fim da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990).
“Nosso país precisa hoje, mais do que nunca, de unidade”, destacou o milionário investidor, que nas eleições deste domingo obteve 51,61% dos votos, contra 48,38% de Frei, que presidiu o país entre 1994 e 2000.
“Para ter um bom país necessitamos não só de um bom governo, também precisamos de uma boa oposição”, acrescentou o presidente eleito, que assumirá o poder no próximo dia 11 de março, substituindo Michelle Bachelet.
“Tenho certeza de que vamos ter uma oposição leal, construtiva, que vai fiscalizar com rigor, pois assim vamos ter um país melhor para todos”, destacou.Piñera afirmou que conhece Frei “há muitos anos” e que as famílias dos candidatos foram “grandes amigas”.
(Folha Online)
como convém a todo mundo que ganha por uma vitoria apertada.
A Presidente Bachellet,mesmo do alto dos seus 80% de popularidade,não conseguiu fazer o sucessor na Presidência chilena. Eduardo Frei,ex-Presidente que queria voltar ao Poder,dançou.Piñera, direitista,milionário,será o novo Presidente.O caso chileno serve como exemplo que,nem sempre, as contas que os políticos fazem, são as mesmas do povão,o eleitor.Que sirva para Lula e Dilma refletirem.
Democracia, volver
Soa exagerado interpretar a vitória de Miguel Piñera no Chile como sinal de reação conservadora na América Latina. O equívoco é repetido por apologistas de direita e de esquerda. Os primeiros gostam de trombetear vingança, criando um paralelo com José Serra nas eleições brasileiras; os demais pensam em forças malévolas, necessariamente retrógradas e autoritárias.
Não existe essa onda conservadora no continente. A recente vitória de Pepe Mujica no Uruguai equivaleu, em proporções muito menores, à de Lula no Brasil. E restam ainda Lugo, Morales, Chávez.
“Esquerda”, “centro” e “direita” são simplificações úteis em noticiários e discursos partidários, mas neutralizam uma diversidade humana cada vez mais decisiva num ambiente institucional dominado pelo pragmatismo. Isso vale, especificamente, para o Chile: até que ponto o governo de Michelle Bachelet pode ser rotulado como “de esquerda”? Empresários são inevitáveis crápulas políticos?
A alternância democrática é marcada justamente pelo revezamento cíclico de forças políticas divergentes. Projetos eleitorais se esgotam, pessoas cansam, plataformas caducam. A derrota de candidatos com discursos progressistas, especialmente os que deixam o poder, pode significar a possibilidade de aprender com a experiência administrativa e construir novos consensos.
Tudo depende do contexto político-partidário. Em certas circunstâncias, a renovação é necessária e louvável, mas em outras é apenas aparente. No caso brasileiro, uma vitória de Serra poderia realmente significar um retrocesso histórico do qual demoraríamos décadas para nos recuperar.