Em artigo publicado neste sábado, no O POVO, o médico, antropólogo e professor universitário Antonio Mourão Cavalcante avalia a violência no futebol. Confira:
Aqui, a discussão envolve a proposta da Polícia Militar: no clássico Fortaleza x Ceará apenas a presença de uma das torcidas. As duas juntas, um risco de violência incontrolável. Estamos nessa tensão, quando do Egito chega notícia que torcidas em conflito, após uma partida de futebol, provocaram a morte de 74 pessoas e centenas de feridos.
O que foi feito do futebol? Por que essa violência tão explícita?
Os esportes surgiram, nas Olimpíadas, exatamente como uma forma de sublimação da violência. No lugar da guerra explícita entre países e etnias, organizou-se um embate simbólico. Uma emulação. Um “como se fosse”. Daí, as faixas e os troféus aos vencedores.
Fala-se em catarse. Uma oportunidade de extravasar todas as raivas e frustrações vividas no social. No Brasil, teríamos três grandes fórmulas: o Carnaval, o futebol e o jogo do bicho. São mecanismos criados pela cultura. Desses, o futebol tornou-se o mais importante. Somos uma pátria de chuteiras. Lembram-se das Copas do Mundo? Único momento em que nos tornamos “aquela corrente pra frente.”
Os campos de futebol são chamados agora de arenas. Os jogadores de animais e os goleadores de matadores. As torcidas viraram bandos organizados, feito brigadas. Cria-se um ambiente para disputas que vão além das quatro linhas. Além, óbvio, de ser usado para manipulação política de todos os gêneros. (vide Copa de 2014!)
Claro que em campo, ou melhor, nas arquibancadas estão pessoas tensas, trazendo das ruas todas as frustrações e recalques do dia a dia. E não são poucos. O futebol não estaria sendo eficaz para promover essa liberação. Pela violência demonstrada, estamos diante de uma tríplice falência: da vida social, da capacidade de sublimar e de promover alegria simbólica através do drible e do gol.
Então, o campo de futebol, no lugar de ser uma praça de confraternização e paz, tornou-se uma arena onde os sentimentos mais bestiais nos reinauguram na barbárie. O que era sinal de alegria virou sintoma. O ser humano está doente!

Vôte, o professor Mourão se comporta como o “doutor sabe tudo”. Ele mete o bedelho dele na política, na loucura dos outros, na briga de marido e mulher, em rinha de galo e agora no futebol! Menos, professor, menos!
“Maria Sabe Tudo”,seria mesmo Maria ou usa tal pseudônimo para esconder suas vontades escondidas ?
Ismael, só Freud explica sua observaçao. Ou melhor, só o professor Mourao para explicar essa sua insinuaçao freud-lacaniana. E eu digo é VÔTE!