Vídeo inédito mostra queda de helicóptero que matou filho de Alckmin

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Thomaz (à direita) e a família em foto de arquivo de outubro de 2008 (Foto: Paulo Liebert/Estadão Conteúdo/Arquivo)
Vídeo obtido com exclusividade pelo SPTV mostra que aeronave ficou 45 segundos no ar. Cinco pessoas foram indiciadas pela polícia.

ma câmera na área de decolagem da Helipark, em Carapicuíba, registrou a queda do helicóptero que matou cinco pessoas, entre elas Thomaz Alckmin, filho caçula do governador Geraldo Alckmin (PSDB). O vídeo inédito foi obtido com exclusividade pelo SPTV (assista acima) e divulgado nesta quarta-feira (7).

Como o G1 mostrou, após um ano, a Polícia Civil concluiu no inquérito que o relatório final apontou problemas na manutenção da aeronave para ela cair em 2 de abril de 2015 em Carapicuíba.

A imagem foi crucial para determinar o tempo que levou entre a decolagem e a queda da aeronave. O vídeo foi comparado com outra imagem, exibida pelo Fantástico, quando o repórter Valmir Salaro mostrou o helicóptero na hora da decolagem. Eram 17h03. O helicóptero faz um teste depois de passar por manutenção. Em seguida, decola de forma brusca e vira imediatamente para o lado esquerdo.

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Em destaque, peças que deveriam estar conectadas no helicóptero que caiu com filho de Alckmin (Foto: Reprodução.

O novo vídeo foi captado por uma câmera que fica diante de uma parede de vidro. Um funcionário aponta para o alto. No vidro aparece o reflexo do helicóptero caindo. O relógio marcava 17h04. Foram apenas 45 segundos no ar.

O funcionário do controle de voo da Helipark disse que a viagem tinha durado 10 minutos. Ele foi indiciado por falso testemunho. Com a conclusão do inquérito, um diretor, o gerente de manutenção da Helipark e o mecânico foram indiciados por homicídio culposo qualificado.

O quinto indiciado é única pessoa que tinha a chave da sala de gravação das câmeras. Um laudo do instituto de criminalística apontou que as imagens do setor de manutenção foram adulteradas.

Todos os investigados respondem em liberdade. São eles:

  • – três empregados (mecânico, gerente e diretor) acabaram indiciados por homicídio culposo (sem intenção de matar) porque teriam falhado na checagem da aeronave antes dela decolar;
  • – um controlador de pista foi indiciado por falso testemunho ao suspostamente mentir sobre o tempo de voo do helicóptero até sua queda;
  • – outro funcionário, que tinha a chave da sala de câmeras da Helipark, responde por fraude processual por suspeita de apagar imagens gravadas no computador.

O Ministério Público Estadual (MPE) analisa o documento, concluído em novembro, para saber se vai ou não oferecer denúncia à Justiça contra os suspeitos.

Nesta quarta, o governador Geraldo Alckmin falou sobre a investigação. “Olha, não vai trazer de volta o Thomaz, nosso filho. Agora, é importante [a conclusão do inquérito] para você evitar que os fatos se repitam. Sempre a lógica de uma investigação de acidente, seja aéreo, seja terrestre, tem esse sentido: de você ter a investigação para poder verificar qual foi a causa e evitar que ela se repita”, afirmou.

https://youtu.be/mJnWwmM5h2A

Pino

A investigação, feita pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes da Aeronáutica apontou como causa da queda a falta de travamento de um pino, do sistema de controle de direção do helicóptero. É com base nesse resultado que a Polícia Civil indiciou os funcionários da empresa.

Em nota, a Helipark informou que o relatório final policial “baseou-se em precipitadas e oficiosas conclusões que têm por base uma única e absurda premissa de ordem técnica” (leia abaixo a íntegra do posicionamento).

Essa “absurda premissa de ordem técnica” que a empresa se refere foi a conclusão preliminar da Aeronáutica. Em junho do ano passado, a Força Aérea Brasileira (FAB) divulgou comunicado sobre as prováveis causas do acidente: a desconexão de duas peças antes da decolagem, que permaneceram assim durante o voo. A nota não informou o motivo da desconexão, mas divulgou desenho do sistema de controle do helicóptero para mostrar onde as peças estariam desconectadas.

Em mais de 100 páginas, a polícia também concluiu o mesmo que a Aeronáutica: que o “controle flexível (ball type)” e a “alavanca (bell cranck)” estavam desconectados e foram determinantes para a queda. Foto da perícia feita no helicóptero no final de abril de 2015, obtida pelo G1 (veja abaixo), mostra que o parafuso que deveria unir essas duas peças está preso numa das hastes, mas a outra ponta ficou solta.

O documento final da FAB, que ainda será concluído, não apontará culpados. Vai sugerir apenas recomendações para se evitar novos acidentes com o mesmo modelo Eurocopter EC-155 B1 da aeronave de origem francesa. A investigação é feita pelo Seripa 4, que é vinculado ao Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa).

Essas duas peças que estavam desconectadas servem para transmissão de movimento de vários sistemas de aeronaves. Podem acionar o rotor principal para subir, descer ou movimentos laterais. Também são usadas para controlar o motor. Normalmente ficam dentro da fuselagem do helicóptero e são acessíveis para manutenção.

A investigação é complexa e envolve outras provas técnicas. Mais de 30 pessoas, entre elas, técnicos e mecânicos, foram ouvidas no inquérito, que possui sete volumes, cerca de 1.500 páginas de depoimentos e informações técnicas. Até hoje não foi possível determinar qual dos ocupantes pilotava a aeronave no momento da queda.

Thomaz Alckmin, filho do governador Geraldo; imagem do helicóptero antes de decolar; e foto dos destroços da aeronave em Carapicuíba (Foto: (Foto: Arquivo/Beto Barata/Estadão Conteúdo, imagens TV Globo)) Thomaz Alckmin, filho do governador Geraldo; imagem do helicóptero antes de decolar; e foto dos destroços da aeronave em Carapicuíba (Foto: (Foto: Arquivo/Beto Barata/Estadão Conteúdo, imagens TV Globo))

Thomaz Alckmin, filho do governador Geraldo; imagem do helicóptero antes de decolar; e foto dos destroços da aeronave em Carapicuíba (Foto: (Foto: Arquivo/Beto Barata/Estadão Conteúdo, imagens TV Globo))

A queda

No dia em que o helicóptero caiu, a aeronave realizava testes de balanceamento das cinco pás do rotor principal. Imagens de câmeras de segurança gravaram o helicóptero decolando com problemas e caindo sobre residências de um condomínio. Elas mostram que as pás teriam se soltado.

De acordo com a investigação, as pás foram retiradas pela Helipark e encaminhadas para a Helibrás fazer a revisão em Itajubá, Minas Gerais. Depois, as pás voltaram para a Helipark, em Carapicuíba, instalá-las no helicóptero.

A suposta falha na revisão das pás que formam a hélice, outra hipótese investigada para tentar explicar o acidente, foi descartada, no entanto, pela polícia. Os moradores não se feriram, mas suas casas ficaram parcialmente destruídas.

A empresa Seripatri Participações era a proprietária do helicóptero destruído. À época, ela informou que que a aeronave fazia um voo de teste após manutenção preventiva. O helicóptero tinha cerca de quatro anos de uso, “com aproximadamente 600 horas de voo” e estava com “documentação e manutenção rigorosamente em ordem”, segundo a empresa.

O voo do dia do acidente foi o primeiro daquele helicóptero após quase dois meses de intervenções previstas de revisão e manutenção.

FONTE: http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/video-inedito-mostra-queda-de-helicoptero-que-matou-filho-de-alckmin.ghtml

 

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