Os dois lados da liberdade

Já falei em diversos textos anteriores que uma das coisas mais essenciais entre as minhas buscas é a LIBERDADE. Eu sou absolutamente encantado por essa palavra.

Lendo as palavras do místico oriental Osho, que era inspiradíssimo para falar sobre essa temática, refleti bastante sobre os dois lados que estão intrínsecos nela e nem paramos para refletir. Farei uma breve reflexão a partir delas. Confira…

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A liberdade tem dois lados e se você tem somente um lado dela, um único lado, você sentirá liberdade misturada com tristeza. Então você tem que entender toda a psicologia da liberdade.

O primeiro lado é liberdade de: nacionalidade, de uma certa igreja, de uma certa raça, de uma certa ideologia política. Esta é a primeira parte da liberdade, a base da liberdade. Sempre é de algo. Uma vez que você tenha alcançado esta liberdade, você se sentirá muito leve, muito bem e muito feliz. E pela primeira vez você começará regozijar-se em sua própria individualidade, porque sua individualidade estava coberta de todas aquelas coisas das quais você se tornou livre.

Mas isto é somente a metade e então logo virá a tristeza, porque a outra metade está faltando. A liberdade “de” está preenchida, mas liberdade para quê? Liberdade em si mesma não tem significado a menos que seja liberdade para algo, algo criativo – liberdade para esculpir, liberdade para dançar, liberdade para criar música, poesia, pintura. A menos que sua liberdade se torne uma realização criativa, você se sentirá triste.

Porque você vai ver que você está livre, suas correntes estão quebradas, você não tem quaisquer algemas, você já não tem qualquer corrente, você não tem qualquer prisão, você está de pé sob a noite estrelada, completamente livre, porém para onde ir? Então vem uma tristeza repentina. Que caminho escolher? Até agora não havia nenhuma questão de ir a qualquer lugar – você estava aprisionado. Toda a sua consciência estava concentrada em como ficar livre, sua única ansiedade era como ficar livre. Agora que você está livre, um novo tipo de problema tem que ser enfrentado. O que fazer agora que você está livre?

Osho

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A maioria das pessoas no nosso planeta não alcançam nem sequer o primeiro lado ou primeiro nível da liberdade, porque ficam presas à uma religião, a um partido político, a uma ideologia, à crenças limitantes etc. Conseguir se libertar dessas amarras é um passo importante rumo à liberdade plena.

Eu me identifiquei muito com suas palavras, porque senti essa leveza que ele cita no primeiro lado da liberdade. Quando tive a coragem de dizer a todas as pessoas: “Não sigo mais nenhuma religião…”. Uau! Foi como se tivesse tirado uma tonelada das minhas costas. Um tempo depois, quando deixei de acreditar que o atual modelo político pode fazer o Brasil se desenvolver pra valer também foi um sentimento imenso de alívio, e não só isso, eu melhorei todos os meus relacionamentos interpessoais, porque daqui pra frente nunca mais baterei de frente com nenhum pensamento político.

Sobre isso aproveito até para replicar as lindas palavras do mestre Buda Gautama. Certo dia um homem veio ao seu encontro dizendo.

– Mestre! Vim ao seu encontro para discutirmos sobre a verdade.

E ele respondeu.

– Que maravilha! Porque não haverá discussão.

A palavra discussão em sua própria raiz tem esse “DI”, relacionado com “dualidade” de pensamentos, entende?

Com relação a mim eu adapto para a política. Alguém vem a mim e diz:

– Isaias! Vim até você para discutirmos sobre a política no Brasil.

Então repondo:

– Que maravilha! Então não haverá discussões…

Isso se chama LIBERDADE no primeiro nível.

O difícil é alcançar esse segundo lado ou segundo nível da liberdade. O que fazer com essa liberdade? Perguntando assim parece até aquela velha música da banda “Só pra contrair”.

“O que é que eu vou fazer com essa tal liberdade, se estou na solidão pensando em você, eu nunca imaginei sentir tanta saudade, meu coração não sabe como te esquecer…”.

Eu acho essa música muito linda, porque é bem isso mesmo. A liberdade dá medo! Ela nos impulsiona em direção à SOLIDÃO sabia disso? É por isso que quase ninguém ousa ser livre, porque é muito mais fácil continuar na zona de conforto onde há lugares, coisas, ideologias ou pessoas para agarrar.

Só poderemos entender o que fazer com a nossa liberdade a partir do AUTOCONHECIMENTO profundo. Quanto mais eu souber para que eu vim a esse mundo e qual o sentido da minha vida é que farei bom proveito dessa liberdade.

Descobri depois de muitos anos de mergulho no autoconhecimento que faço bom proveito da minha liberdade através do ENSINO. Um texto como esse é uma espécie de ensino, como já falei em outros textos. São pílulas de reflexões que podem levar muitos leitores a mudarem perspectivas, a pensarem sobre diversos assuntos sobre outra ótica etc…

O segundo lado da liberdade é o que pode ser aperfeiçoado até o nosso último suspiro aqui nesse planeta. O Osho não aprofunda tanto esse ponto, então tomarei a liberdade de complementar sua reflexão. hehehe

O primeiro lado é como se eu pegasse uma moeda que estivesse muito suja, muito cheia de lodo e fosse polindo. Quanto mais eu consigo polir, mais brilhante esse lado fica, e seu brilho influencia o outro lado da moeda. Não é bacana?

Sempre é possível polir um pouco mais o primeiro lado, mas somente o segundo nos leva a uma profunda evolução em todos os sentidos, porque está relacionada com nossas ações no mundo, com nosso processo tanto karmico quanto dharmico!

Há muito mais a ser refletido sobre essa temática incrível, mas deixo essas reflexões com você. Que possamos todos nós alcançar esse segundo lado, esse segundo nível da liberdade e assim contribuirmos para construir um mundo com pessoas infinitamente mais felizes e realizadas…

Isaias Costa

Sobre Isaias Costa

Isaias Costa. 28 anos. Sou Bacharel em Física e Mestre em Engenharia Mecânica. Descobri o meu amor pela escrita nas dificuldades que passei no meu caminho, aliado ao prazer de ler sobre Filosofia, Psicologia e Teologia.
Este blog trata de assuntos em sua maioria filosóficos, com o objetivo de nos fazer pensar e se questionar sobre as grandes questões da vida.

Também escrevo nos blogs “Para além do agora” e “Universo de Raul Seixas”.
www.paralemdoagora.wordpress.com
www.universoderaulseixas.wordpress.com

Sejam todos bem-vindos ao “Artesanato da mente”…

4 thoughts on “Os dois lados da liberdade

  1. Obrigado pelo texto, Isaías!
    Venho visitar suas publicações e gosto do que estou lendo.
    E neste texto, veio-me a ideia de que estamos doentes quanto à primeira liberdade, “de”. As pessoas têm se tornado aprisionadas em liberdades subjetivas de rancor, raiva, mágoa. E é incrível que muitas alegam que isso traz até uma certa felicidade; querem mais é ser prisioneiras. Enfim, estamos caminhando acorrentados, não sei pra onde, mas estamos. Fica a pergunta: como nos libertar?
    Abraço!

    1. Essa é uma pergunta super difícil, mas insisto em dizer que não acredito em nada mais poderoso que o AUTOCONHECIMENTO. Porque é só conhecendo a nossa essência que poderemos nos libertar de tantas amarras que muitas vezes são autoimpostas, como tão bem você colocou!
      Grande abraço meu amigo!

  2. Isaías Costa, gosto da sua profundidade em seus textos. Estou realmente gostando de lê-los. Inclusive, estou realmente mergulhada nesse autoconhecimento porque estou em um ponto em minha vida que precisava fazer isso. No entanto, a respeito da liberdade, questiono algum ponto. Também quero afirmar que desejo a liberdade. Sou contrária à religiosidade, mas não posso negar que sou cristã. Faz parte da minha identidade. Pensando sobre liberdade, também podemos nos colocar não como um fantoche manipulado. Penso em ter liberdade religiosa para ter o direito de falar do que mais dá sentido à minha existência que é amar um Deus e seu Filho Jesus Cristo. Creio que se abrir mão de todas as formas de liberdade que você considera prisões, eu perderia a oportunidade de manifestar minhas opiniões, formando ou influenciando outras pessoas também. Acho que tenho vivido a maior prisão que é aquela imposta por pessoas que não querem ser contestadas, não querem ver um religioso amplamente satisfeito com sua vida terrena… Daí, ter a liberdade de criar influências, como a que você faz aqui exatamente com seus textos.

    1. Eu também sou cristão querida! A minha raiz familiar é católica e sou católico até meus 23 anos, quando por livre opção me tornei um espiritualista, que é alguém que acredita profundamente em Deus e nas suas manifestações, mas que não se prende a nenhuma religião. Já repeti em dezenas de textos que Jesus é e sempre será minha maior fonte de inspiração. Você vai se deparar com essa frase em algum texto meu com certeza! hehehe
      Como sempre digo. Siga sempre o seu coração porque quando seguimos o nosso coração conseguimos influenciar as pessoas, conseguimos levar esse amor de Jesus através acima de tudo dos atos cotidianos.
      Eu tenho bastante consciência disso Fernanda. Muito mais importante do que textos como esses é o dia a dia, as pequenas coisas. Sem isso esses textos seriam meras palavras ao vento.
      Continue seu caminho e saiba que você já está influenciando, sem sombra de dúvidas! Grande abraço!!

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