A mediocridade nos mata aos poucos

Normose

Eu procuro todos os dias não ser igual a todo mundo, seguir com consciência meu próprio caminho, sem me importar com o que os outros pensam ou dizem a meu respeito, apenas buscando viver bem e fazer o meu trabalho da melhor forma possível.

Sempre bato na tecla da mediocridade em meus escritos, porque sei que grande parte das mazelas da nossa sociedade existem por causa dela. Dá muito mais trabalho ser original, ser autêntico, ser criativo, buscar a excelência, não seguir a manada, não ser um consumidor compulsivo, não buscar agradar a todos… Quem segue esse caminho é porque não se deixou contaminar pela mediocridade, que é esse nivelamento por baixo, ser uma pessoa formatada e intoxicada por um sistema doente que não valoriza nossa interioridade, nossa humanidade, mas visa o lucro, a barganha, os títulos acadêmicos, a conta bancária pomposa, os carros e roupas de marca etc. etc.

Para refletir mais profundamente sobre isso, compartilho um belíssimo texto da escritora gaúcha Martha Medeiros:

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Morre lentamente quem não troca de idéias, não troca de discurso, evita as próprias contradições.

Morre lentamente quem vira escravo do hábito, repetindo todos os dias o mesmo trajeto e as mesmas compras no supermercado. Quem não troca de marca, não arrisca vestir uma cor nova, não dá papo para quem não conhece.


Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru e seu parceiro diário. Muitos não podem comprar um livro ou uma entrada de cinema, mas muitos podem, e ainda assim alienam-se diante de um tubo de imagens que traz informação e entretenimento, mas que não deveria, mesmo com apenas 14 polegadas, ocupar tanto espaço em uma vida.


Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o preto no branco e os pingos nos is a um turbilhão de emoções indomáveis, justamente as que resgatam brilho nos olhos, sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.


Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho, quem não se permite, uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não acha graça de si mesmo.

Morre lentamente quem destrói seu amor-próprio. Pode ser depressão, que é doença séria e requer ajuda profissional. Então fenece a cada dia quem não se deixa ajudar.


Morre lentamente quem não trabalha e quem não estuda, e na maioria das vezes isso não é opção e, sim, destino: então um governo omisso pode matar lentamente uma boa parcela da população.

Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da chuva incessante, desistindo de um projeto antes de iniciá-lo, não perguntando sobre um assunto que desconhece e não respondendo quando lhe indagam o que sabe.


Morre muita gente lentamente, e esta é a morte mais ingrata e traiçoeira, pois quando ela se aproxima de verdade, aí já estamos muito destreinados para percorrer o pouco tempo restante. Que amanhã, portanto, demore muito para ser o nosso dia. Já que não podemos evitar um final repentino, que ao menos evitemos a morte em suaves prestações, lembrando sempre que estar vivo exige um esforço bem maior do que simplesmente respirar.

Martha Medeiros

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Em suas palavras, ela nos alerta sobre esse medo que todos nós carregamos de fazer algo diferente, que fuja às normas, que encha o nosso coração de energia! Sempre que deixamos de fazer aquilo que seria o caminho do nosso coração, nós morremos um pouco, e não apenas essa morte física, mas a morte da nossa alma, que deixa de aproveitar a beleza da existência, a magia dos momentos.

Ela também critica a falta de iniciativa, o conformismo com uma vida insossa, com um trabalho que não gosta, fazendo sempre as mesmas coisas, vestindo as mesmas roupas, seguindo o mesmo trajeto e transformando tudo em uma rotina enfadonha. Esse é o comportamento típico das pessoas medíocres, transformam toda a vida em uma rotina, e desta forma nem percebem que ela está passando. Quando percebem, já se passou anos, décadas ou mesmo a vida inteira e ainda vem como bônus  um mar de lamentações. Evite a rotina! Se quiser ler um pouco mais sobre isso, recomendo esse texto aqui.

Ela fala das pessoas que reclamam o tempo todo. Essas estão morrendo ainda mais rapidamente que as outras. Quem reclama o tempo todo está sempre se projetando no futuro ou remoendo o passado, deixando de viver o aqui e agora, que é a única coisa que realmente importa. Em vez de reclamar da vida, eu busco sempre agradecer, esse é o maior e o único antídoto para o veneno das reclamações. Quem vive em gratidão é mais feliz e tem muito mais sentido para tudo. Pense nisso com carinho…

Portanto, siga seu próprio caminho, seja o senhor do seu destino, tenha coragem de correr atrás de seus sonhos e nunca reclame de nada, cada minuto de reclamação é um minuto a menos de vida e cada minuto de gratidão é um pouquinho mais de vida que você se dá e que ainda dá de presente para os outros. Busque evoluir o tempo todo, não tenha medo das novidades, experimente algo diferente, pode ser que você se surpreenda com o que experimentar e virá em seguida. É assim que a vida acontece, uma sucessão de experiências e aprendizados, o tempo é curto, utilize-o da melhor forma possível! Assim, sua vida brilhará e você estará fora desse grupo que a Martha tão bem descreveu…

* Para ouvir a leitura desse texto basta clicar [aqui]

Isaias Costa

Sobre Isaias Costa

Isaias Costa. 28 anos. Sou Bacharel em Física e Mestre em Engenharia Mecânica. Descobri o meu amor pela escrita nas dificuldades que passei no meu caminho, aliado ao prazer de ler sobre Filosofia, Psicologia e Teologia.
Este blog trata de assuntos em sua maioria filosóficos, com o objetivo de nos fazer pensar e se questionar sobre as grandes questões da vida.

Também escrevo nos blogs “Para além do agora” e “Universo de Raul Seixas”.
www.paralemdoagora.wordpress.com
www.universoderaulseixas.wordpress.com

Sejam todos bem-vindos ao “Artesanato da mente”…

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