Como lidar com a dor?

Eu gosto muito dos textos provocativos e mega inteligentes do escritor Alex Castro. Com sua série de artigos chamada de “As Prisões”, que foram publicadas no site “Papo de homem”, ampliei minha consciência e visão de mundo de forma impressionante. Só tenho a agradecer a ele por dividir com milhares de pessoas a sua sabedoria.

Esses dias ele publicou um texto bem curtinho mas interessantíssimo, sobre como lidar com a dor! Leia com bastante atenção…

*************

Pergunta: “Alex, como você lida com a dor?”

As pessoas me fazem essa pergunta e eu não sei o que responder. Na verdade, não sei nem que tipo de resposta possível estão buscando.

Seria como me perguntar:

“Alex, quando você é pego, de repente, no meio de um temporal, sem sombrinha, sem sobretudo, sem marquise… como você lida com a chuva?”

E minha única resposta é:

“Eu fico encharcado, ué. Até que pára de chover. Aí, aos poucos, vou ficando seco de novo. Existe outro jeito?”

Alex Castro

**************

Simples assim! A dor é semelhante a uma chuva na qual você não tem para onde fugir. Você vai se molhar quer queira quer não!

Depois que a chuva passa, aos poucos você volta a ficar seco. Se você observar bem essa metáfora utilizada pelo Alex, vai perceber que se trata de CICLOS, de OSCILAÇÕES.

Prazer e dor são dois lados da mesma moeda. Todo prazer carrega em si uma dor e toda dor tem um potencial de prazer associado a ela.

Calma! Não saia por aí dizendo que eu estou ensinando os leitores a se tornarem masoquistas, não é isso viu? O que estou dizendo é que vivemos num mundo dual, onde todos os opostos se complementam, inclusive prazer e dor.

Ao escrever esse texto, até me lembrei de uma frase profunda atribuída ao conceituado psicanalista Jacques Lacan que diz: “a dimensão do gozo para o corpo é a dimensão da descida rumo à morte…”. Muito profundo não é mesmo?

É possível até mesmo filosofar a partir dessa linda frase. O gozo é uma explosão de prazer que emana uma grande energia, tão poderosa que é capaz de gerar uma nova vida ao fecundar um óvulo. Nós perdemos parte da nossa energia, o que representa uma pequena morte, mas ao mesmo tempo, há um ganho de vida ao possibilitar o surgimento de um novo indivíduo.

E você percebe? Depois do sexo, principalmente para os homens, dá logo uma vontade de dormir! Porque toda a nossa energia passa por variações, por ciclos de ascendência e descendência. É quase como uma senoidal, essa curvinha que você vê logo aqui embaixo.

Função senoidal

Só é possível lidar com a dor vivenciando-a, sentindo-a, prestando profunda atenção nela. Sem se lamentar, sem reclamações, sem ficar culpando Deus e o mundo por causa dela…

A dor tem uma causa, depois ela se manifesta, cresce, chega ao estopim (momento em que mais reclamamos!), depois começa a descer até acabar completamente.

E aproveitando o gancho, compartilho também a belíssima visão do grande Eduardo Marinho que sempre diz em seus vídeos: “A dor tem um aspecto didático e não um aspecto dramático, como a maioria das pessoas coloca…”. falei mais sobre a visão dele nesse texto cujo link está logo abaixo.

A dor tem um aspecto didático

Há uma frase bastante difundida pela doutrina budista, e que acho muito profunda. Diz assim: “A dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional”.

É impossível se livrar da dor, assim como é impossível se livrar da água molhando o corpo numa chuva forte. Porém, o sofrimento é algo ligado ao apego ao passado ou às projeções malucas para o futuro.

Se você aprende a colocar toda sua energia e toda sua atenção no momento presente, no aqui e agora, aos poucos você vai perceber que o sofrimento vai diminuir. E quem se aprofunda nesse processo pode mesmo cessar para sempre o sofrimento, é o que acontece com os seres humanos que atingem a ILUMINAÇÃO.

Parafraseando o mestre Osho, é preciso que nos tornemos testemunhas de todas as nossas experiências, inclusive as de dor, principalmente as de dor, porque ao testemunharmos, ao observarmos com atenção plena, facilmente podemos transcender essa dor para sentirmos essa transmutação interna.

Vivenciando isso a dor passa a ser apenas uma dor, não mais um sofrimento, um martírio.

Reflita com carinho sobre tudo isso! Compreenda bem a dualidade da existência e com essa sabedoria perceba que a melhor coisa que podemos fazer é vivenciarmos profundamente nossas dores, como se fosse uma dança na chuva. Dance na chuva! E sua vida estará cada vez menos atormentada por sofrimentos.

Filme “Cantando na chuva”
Isaias Costa

Sobre Isaias Costa

Isaias Costa. 28 anos. Sou Bacharel em Física e Mestre em Engenharia Mecânica. Descobri o meu amor pela escrita nas dificuldades que passei no meu caminho, aliado ao prazer de ler sobre Filosofia, Psicologia e Teologia.
Este blog trata de assuntos em sua maioria filosóficos, com o objetivo de nos fazer pensar e se questionar sobre as grandes questões da vida.

Também escrevo nos blogs “Para além do agora” e “Universo de Raul Seixas”.
www.paralemdoagora.wordpress.com
www.universoderaulseixas.wordpress.com

Sejam todos bem-vindos ao “Artesanato da mente”…

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *