Apenas observe a tristeza

- Bem minha amiga tristeza! Vamos conversar? Vamos meditar juntos?
– Bem minha amiga tristeza! Vamos conversar? Vamos meditar juntos?

Eu gosto muito de ler e de ouvir a querida Monja Coen, principal líder do budismo Zen no Brasil. Estava lendo um texto de sua autoria no qual ela falava sobre a tristeza e farei uma breve reflexão a partir dele. Veja!…

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Qual é o significado da tristeza? – Por Monja Coen

Na tristeza ficamos tristes.

Quando perdemos alguém.
Quando perdemos.
Quando as coisas não são como queríamos que fossem.
Quando as pessoas não são como queríamos que fossem.
Quando o mundo e a realidade não são o que queríamos que fossem.
Quando não somos o que gostaríamos de ser.
Quando não temos o que gostaríamos de ter.

Porém,
se nos lembrarmos
que as coisas são como são
que as pessoas são como são
que nós, o mundo e a realidade são o que são
e que podemos apreciar o que temos invés de lamentar o que não temos,
começamos a entrar no mundo da não dualidade.
Se houver sabedoria e compaixão perceberemos que a tristeza, mesmo profunda, é passageira.
Perceberemos que se as coisas, as pessoas, o mundo, a realidade e nós mesmos estamos num processo contínuo de transformação
Então poderemos pensar em nos tornarmos essa transformação que queremos no mundo.
Para que haja menos tristeza, mais alegria, mais compartilhamento e harmonia.
O contentamento com a existência é um dos ensinamentos principais de Buda:
“a pessoa que conhece o contentamento é feliz, mesmo dormindo no chão duro; a pessoa que não conhece o contentamento é infeliz mesmo num palácio celestial.”
Então, quando sentimos tristeza, observamos a tristeza.
Como está nossa respiração? Como estão os batimentos cardíacos? Como está a nossa postura?
Que pensamentos são esses que me fazem deixar os ombros cair para frente, baixar a cabeça e, quem sabe, chorar?
Como se formam as lágrimas?
E, mesmo em meio a lágrimas, podemos sorrir e perceber que enquanto vivas criaturas temos esta experiência extraordinária e bela de poder ficar triste.
Tristeza que vem.
Tristeza que vai.
E sem se apegar a coisa alguma e sem sentir aversão a coisa alguma descobrimos o verdadeiro sentido da vida.
É assim que trabalhamos a tristeza.

Link: Qual é o significado da tristeza?

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Estudando os ensinamentos do Buda Gautama e procurando colocar em prática na vida, hoje em dia percebo o quanto ele estava certo. É preciso aprender a OBSERVAR os sentimentos, porque eles transmutam o tempo todo e o fazem por si só.

A Monja Coen fala da tristeza que vem e que vai e revela a sabedoria para aprender a fazer com que ela somente venha e passe por nós como uma brisa!

O segredo é não ter APEGOS e AVERSÕES.

O apego leva você a se agarrar à tristeza, ou seja, você tem uma postura vitimista, de coitadinho, e tudo isso não passa de manifestação do EGO.

Na aversão você está vivendo pelo ORGULHO. Você menospreza esse sentimento que faz parte da constituição humana, é um sentimento como qualquer outro, mas na sua cabeça você o coloca como um sentimento inferior, e isso é orgulho.

Principalmente aqui está presente a questão do CHORO. Muita gente pensa que chorar é uma fraqueza, mas eu digo exatamente o contrário, chorar é uma fortaleza! Somente pessoas que tem sensibilidade conseguem chorar sem ficarem se culpando ou se martirizando por isso! O choro é um transbordamento de emoções. Se ele vier, deixe que se manifeste e não fique brigando com ele.

Você deixando as lágrimas correrem soltas, vai perceber que a tristeza passará mais rápido…

Das duas formas, com apegos e aversões, a tristeza demora muito mais a passar!

Em minha opinião, o que devemos fazer quando nos acometermos pela tristeza? OBSERVÁ-LA!

Devemos ter uma espécie de diálogo com ela mais ou menos assim:

– OK tristeza! Você está aqui. Reconheço você e não me apegarei nem lhe rejeitarei. Vou curtir a sua presença por enquanto. Vamos meditar juntos?

Quando você convida a tristeza para meditar junto com você ela fica extremamente incomodada sabia? E sabe qual é o motivo? Ela está com você, mas ela NÃO É VOCÊ!

Quando você medita com a tristeza, dentro de pouco tempo estará conectado com a sua essência, e na essência não existe lugar para ela! Só existe lugar para a alegria, para o bem estar, para a plenitude, porque é isso que somos em essência!

Portanto! Esse é um exercício aparentemente simples na teoria, mas bastante exigente na prática!

Procure colocar esses ensinamentos na prática da sua vida! Observe a sua tristeza e vai perceber que quando menos esperar ela já vai ter ido embora e seu equilíbrio retornará firme e forte!

Lembre-se que esse é o segredo: sem apegos e sem aversões…

 

Isaias Costa

Sobre Isaias Costa

Isaias Costa. 28 anos. Sou Bacharel em Física e Mestre em Engenharia Mecânica. Descobri o meu amor pela escrita nas dificuldades que passei no meu caminho, aliado ao prazer de ler sobre Filosofia, Psicologia e Teologia. Este blog trata de assuntos em sua maioria filosóficos, com o objetivo de nos fazer pensar e se questionar sobre as grandes questões da vida. Também escrevo nos blogs "Para além do agora" e "Universo de Raul Seixas". www.paralemdoagora.wordpress.com www.universoderaulseixas.wordpress.com Sejam todos bem-vindos ao "Artesanato da mente"...

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