Ordenados para o amor

 O carron rompeu o silêncio que envolvia o pio sagrado da Igreja mãe de Fortaleza. Os músicos, em tom solene executaram a Marcha da igreja enquanto  na nave central do templo a procissão litúrgica avançava, perfilada qual exército.

Os diáconos se prostram invocando a proteção da Igreja triunfnate

 

Ao fundo os olhos avistavam as hastes da mitra arquiepiscopal sob a égide da qual todos caminhavam. A névoa esfumaçada do incenso subia aos céus como as orações e o sacrifício de Cristo chegariam à Shekinah de Deus em noite tão memorável.

As atenções voltavam-se para Aristóteles Alencar, Karlian Vale, Rômulo dos Anjos e Sílvio Scopel que entrariam diáconos e sairiam sacerdotes da celebração, perpetuando a missão de Cristo sacerdote que continua a chamar eleitos como bem lembrou o senhor bispo na homilia.

Como não lembrar naquele lento caminhar dos eleitos, da inocente marcha de Isaac à montanha do sacrifício ou mesmo do próprio Cristo em rumo à Jerusalém? Ademais, em todas as cenas algo em comum, os varões prosseguiam para o cumprimento da vontade soberana de Deus.

O ato penitencial celebrou a misericórdia divina qual perfume dos mais nobres deitado no odre dos quatro diáconos, vasos que foram quebrados aos pés do Amado que em muito lhes perdoou  quando prostraram-se  rogando os auspícios dos santos e santa de Deus .

Ali, ao chão ficaram inertes, incólumes, gestados para o ‘Novo’, tecidos pela graça divina, confirmados pela igreja celeste, apoiados pela militante, amparados pela padecente. Erguidos, aproximam-se de Cristo pastor, promete-lhes obediência, vivência sacramental e de serviço ao povo de Deus. São revestidos da linhagem sacerdotal, introduzidos nas fileiras dos eleitos  para sempre. A eternidade toca a efemeridade.

As mãos ungidas abençoarão, a boca abrasada  anunciará a verdade, as mentes iluminadas pelo dom de Deus perscrutarão as insondáveis profundezas da ciência divina. Dois abismos se encontraram, o infinito no finito como bem definiu o poeta.

Não existe melhor descrição para a celebração deste dia quinze a não ser a do comentarista quando em sua monição convidava todos a participar com intensidade daquela divina liturgia.

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