O Papa Francisco liberou o aborto?

Quando o assunto é relacionado ao Papa Francisco, suas falas, gestos e decisões o melhor é não confiar no que sai de primeira nas Agências e portais de notícias seculares. Não se sabe se por ignorância ou má intenção as notícias, a começar pela manchete distorcem o conteúdo, deixando leitor mal informado. O melhor é recorrer às fontes oficiais, o próprio site do Vaticano ou os sites e agências católicas de notícias. 

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O último imbróglio envolvendo Sua Santidade diz respeito à decisão através da qual ele estendeu a faculdade de perdoar o pecado do aborto a padres, uma incumbência até então cabida somente aos bispos. Para motivar a reconciliação e um mergulho no Jubileu do Ano da Misericórdia o Papa Francisco permite que durante o Ano Santo todo e qualquer padre possa absorver este pecado gravíssimo. 

As manchetes confusas se multiplicaram, algumas beirando o ridículo tentando  associar a decisão do Santo Padre a uma possível coadunação do chefe da Igreja Católica  com o pecado do aborto, crime por diversas vezes condenado por ele. O Jornal Zero Hora foi um dos veículos de comunicação que flertou com o desatino. “Papa coloca aborto em debate ao permitir que padres concedam o perdão a mulheres arrependidas”, diz a manchete.

“Papo de Família” esclarece polêmica

Nesta quinta-feira, dia 3, Padre Rafhael Maciel dedicará o programa Papo de Família (Rádio Dom Bosco), das 11h ao meio dia para esclarecer os ouvintes sobre esta polêmica criada pela mídia. Fique ligado.

O que disse o Papa Francisco sobre o aborto na Carta com a qual se concede Indulgência por ocasião do Jubileu Extraordinário da Misericórdia?

“Um dos graves problemas do nosso tempo é certamente a alterada relação com a vida. Uma mentalidade muito difundida já fez perder a necessária sensibilidade pessoal e social pelo acolhimento de uma nova vida. O drama do aborto é vivido por alguns com uma consciência superficial, quase sem se dar conta do gravíssimo mal que um gesto  semelhante comporta. Muitos outros, ao contrário, mesmo vivendo este momento como uma derrota, julgam que não têm outro caminho a percorrer. Penso, de maneira particular, em todas as mulheres que recorreram ao aborto. Conheço bem os condicionamentos que as levaram a tomar esta decisão. Sei que é um drama existencial e moral. Encontrei muitas mulheres que traziam no seu coração a cicatriz causada por esta escolha sofrida e dolorosa. O que aconteceu é profundamente injusto; contudo, só a sua verdadeira compreensão pode impedir que se perca a esperança. O perdão de Deus não pode ser negado a quem quer que esteja arrependido, sobretudo quando com coração sincero se aproxima do Sacramento da Confissão para obter a reconciliação com o Pai. Também por este motivo, não obstante qualquer disposição em contrário, decidi conceder a todos os sacerdotes para o Ano Jubilar a faculdade de absolver do pecado de aborto quantos o cometeram e, arrependidos de coração, pedirem que lhes seja perdoado. Os sacerdotes se preparem para esta grande tarefa sabendo conjugar palavras de acolhimento genuíno com uma reflexão que ajude a compreender o pecado cometido, e indicar um percurso de conversão autêntica para conseguir entender o verdadeiro e generoso perdão do Pai, que tudo renova com a sua presença”.

Leia carta na íntegra, aqui.

 

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