Ladrões de inocência

Na antiguidade as crianças não eram sequer contadas  entre o número da população. O filósofo grego Platão escreveu em A República,sua mais notável obra, que os infantes deveriam ser separados dos pais ainda em tenra idade para aprender os verdadeiros valores que segundo ele não seriam bem repassados pelos genitores.

Com o advento do cristianismo as relações mudaram. Mulheres, escravos e crianças passaram a ter um novo papel na sociedade. Cristo, certa vez, segundo o evangelho de Mateus, tomou uma criança no colo e apontou aos presentes como modelo de sabedoria contrariando a mentalidade da época que atribuía  a sapiência somente aos doutores da lei.

Nos dias atuais, apesar das conquistas, ainda é preocupante a situação de risco em que se encontram muitas  crianças. Trabalho escravo, exploração sexual, bullyng são apenas alguns  dos “lobos maus” que roubam a infância  de muitos pequenos.

A data que, embora tenha se tornado meio de esquentar as vendas no  comércio,  permite  uma reflexão e o levantamento de questionamentos sobre o cenário de respeito e desenvolvimento infantil atual ou a falta deles.

Na Califórnia, duas mulheres lésbicas apóiam, incentivam e proporcionam um tratamento hormonal para a mudança de sexo de um menino de apenas 11 anos de idade. O processo teve início aos 7. Diante deste caso pode-se indagar: não é exigir demais a uma criança, decisão tão séria¿ Que mãe em sã consciência permitiria que seu filho, nesta idade, portasse uma arma, dirigisse ou trabalhasse como um profissional¿ De certo, nenhuma, pois compreende-se que uma pessoa com a idade de 7 anos não tem  lucidez  para portar uma arma, dirigir ou trabalhar. E teria para escolher mudar de sexo¿ mutilar o próprio corpo¿ Onde estão as organizações internacionais que defendem os direitos das crianças para intervir numa situação dessas¿

Nos Estados Unidos,a ONG B4U-ACT  realizou um congresso pró-pedofilia cujo esforço maior é fundamentar sua retirada da lista de desordens mentais da  Associação Americana de Psicologia (AAP). O congresso foi realizado em Baltimore e acendeu um sinal de alerta para os defensores dos direitos da criança e do adolescente. Os estudos da organização afirmam que se dá uma conotação exageradamente negativa aos relacionamentos que envolvem adultos com crianças. Sugerem até substituir o termo  ‘abuso sexual de crianças’  por ‘sexo entre adultos e crianças’

Entre outro relatos a conferência registrou que os pedófilos são  “injustamente estigmatizados e demonizados” . Emais, “as crianças não são inerentemente incapazes de dar consentimento” nos casos de atos sexuais com adultos. Também argumentaram em favor da aceitação e compaixão pelas pessoas que são atraídas por  menores.

A Igreja Católica recentemente sacudida pela onda de denúncias de pedofilia que aconteceram nas décadas de 60 a 80 tomou medidas enérgicas para combater o crime. No site oficial da instituição, logo na capa, pode se ter acesso à resposta da instituição aos abusos. No Brasil, dezenas de ONGs combatem a pedofilia e esclarecem que a melhor forma de combatê-la é através da denúncia. Os dados mostram que a maioria dos abusos acontecem ainda em ambiente doméstico.

São duas correntes que se enfrentam. Uns combatem, outros pretendem retirar o “estigma”. Na lista dos maus exemplos ainda poderia ser citado um partido Holandês que tinha como bandeira de luta, além da liberação da pornografia na TV aberta, profissionalização da prostituição, a defesa da pedofilia. Não era para menos,o partido foi fundado por três pedófilos que encontraram no conceito falseado  de liberdade de expressão a possibilidade de fundar a sigla defendendo objeto de tamanha grosseria.

Ainda na lista de atitudes duvidosas podemos citar a da revista Vogue francesa que na edição de janeiro publicou um ensaio com crianças em poses adultas e sensuais, disseminando o erotismo infantil.  As crianças tinham  no máximo dez anos, usavam maquilagem pesada, salto alto e até lingerie. Mesmo entre os críticos de moda a publicação recebeu severas críticas. Todos foram unânimes na opinião de que as crianças do ensaio posaram com uma sensualidade incompatível com a idade.

No Japão o governo ainda luta para proibir a  venda de mangás infanto-pornográficos  e a produção de vídeos com meninas menores de 18 anos em cenas com extrema conotação sexual.  Os produtores desse tipo de material, que movimenta milhões de dólares, afirmam que não devem ser cerceados em sua criatividade e a regra para a criação dos mangás deve ser  o “vale-tudo”.

Estamos diante de uma sucessão de barbáries que pouco a pouco se tornam cada vez mais freqüentes nos noticiários. Assim, a pureza das crianças,contrapeso essencial para esta sociedade altamente erotizada, é minada continuamente pelos ladrões de inocências.

Que neste dia mais do que garantir presentes se possa assegurar o direito de serem crianças. Nada mais além disso.

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