Artigo] Vida religiosa em crise. Por que?

Desde o século III se tem notícia na Igreja de homens e mulheres que buscaram viver o Evangelho de uma forma radical e comunitária. Ao longo dos séculos foram surgindo Congregações e Institutos de vida consagrada dedicados exclusivamente ao serviço de Deus e dos homens.

Congregações fiéis ao carisma de fundação não envelhecem vocacionalmente.
Congregações fiéis ao carisma de fundação não envelhecem vocacionalmente.

O ano de 2015 foi dedicado pelo Papa Francisco à vida religiosa, um tempo para refletir sobre esse estilo de vida que busca viver o segmento de Cristo à luz de um carisma específico e dos conselhos evangélicos da pobreza, obediência e castidade. 

A decisão do pontífice é providencial.Muito por conta da atual situação da vida religiosa que parece atravessar uma grande crise, especialmente de vocações, ou seja de pessoas que queiram aderir a esse chamado radical.

A crise está instaurada em algumas Congregações mais antigas, aquelas com séculos de histórias, mas atinge também congregações e institutos recentes. Mas por que a vida religiosa está em crise? Por que os jovens não querem viver este estilo de vida?

O problema é complexo e estudado  há muitos anos pelas próprias congregações, mas gostaria de destacar um ponto para colocar luz no problema. Acredito que a infidelidade ao Carisma da fundação de uma vocação específica desemboca inevitavelmente em uma crise. 

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No processo de adaptação aos tempos modernos algumas congregações arrefecem na vivência do carisma originário e o resultado é desastroso.  Congregações que surgiram para servir o Evangelho através da educação, por exemplo, e abrem mão desse chamado estão fadadas ao insucesso vocacional.

Há também as Congregações e Institutos que vivem uma espiritualidade superficial e em muitos casos suas ações não se diferenciam em nada de atividades que poderiam ser executadas por qualquer associação, sindicato ou ONG. De outro modo, as expressões da vida consagrada que buscam a fidelidade ao carisma de fundação e não traem seu fundador têm fila para ingresso em suas fileiras. 

Na evolução desse estilo de vida o Espírito Santo fez surgir novos carismas chamados pela Igreja de Novas Fundações, como estão enquadradas as Novas Comunidades, celeiros de vocação. Uma das mais antigas no Brasil, nascida no Ceará, a Comunidade Católica Shalom, possui uma média de 1000 vocacionados por ano. E o número é crescente.

Que em 2015 desperte em nós a gratidão por todos os homens e mulheres que ao longo dos séculos fizeram arder a chama do Evangelho. Rezemos também para que as Congregações retornem ao chamado inicial, única razão pela qual existem e podem frutificar na Igreja, esse imenso jardim com flores de variados tamanhos, cores e cheiros.

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